<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212</id><updated>2012-02-16T19:11:15.072-08:00</updated><category term='u'/><title type='text'>madrigal triste</title><subtitle type='html'>Escrever para aliviar. Escrever não salva mais os homens, como já acreditaram alguns bons franceses.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>49</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-714412291901639325</id><published>2009-10-15T12:59:00.000-07:00</published><updated>2009-10-15T13:00:23.681-07:00</updated><title type='text'>mudança de blog</title><content type='html'>Este blog agora está em:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.nosologia.wordpress.com/"&gt;www.nosologia.wordpress.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-714412291901639325?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/714412291901639325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=714412291901639325' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/714412291901639325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/714412291901639325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2009/10/mudanca-de-blog.html' title='mudança de blog'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-4802889291522885445</id><published>2009-08-24T07:38:00.000-07:00</published><updated>2009-08-24T08:35:45.995-07:00</updated><title type='text'>arnaldo morreu</title><content type='html'>Passado tanto tempo, Arnaldo já não mais subsiste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a vigência da lei antifumo, seu destino - como aliás toda a sua vida - foi medíocre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após os eventos relatados, retornou ao bar em que se encontrava para recuperar qualquer coisa. Pouco importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recuperar algo perdido e sem importância clamou por um cigarro mole de baba e assim que o sacou do bolso da calça, se deu ao trabalho último de acendê-lo. Ainda o fez com isqueiro bonito e vistoso, como se isso fosse um prelúdio de um último belo ato que antecederia à sua desgraça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceso o cigarro, acessado o domínio da ilegalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma jovem estudante, promissora turismóloga, que se encontrava sentada poucas mesas adiante&lt;br /&gt;da cena do crime, constantando o estado de flagrância do delito de Arnaldo, imediatamente acionou seu telefone celular com acesso direto ao &lt;em&gt;twitter. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Twittou - &lt;/em&gt;respeitando o limite de caracteres e do próprio o que  dizer. Isso não é digno de uma época nossa ? - em seu perfil pessoal de que um cigarro acabara de ser aceso no bar. Indicou nome e endereço da cena do crime e deu a exata localização do agente criminoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus seguidores (não ! ela não conhecia nenhum. Mesmo assim era estranhamente seguida) imediatamente receberam a informação e em questão de segundos acionaram a Gestapo anti fumo com seus ridículos coletes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais rápido do que a chama foi capaz de vencer o papel do cigarro babado, a equipe gestapiana chegou ao bar, borrifou seu cigarro que tristemente cedeu à pressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arnaldo foi levado ao distrito policial e preso. Assinou uma série de papéis e aguardou sua soltura que se daria apenas na manhã seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na cela, um companheiro preso - adepto da umbanda - resolveu invocar seus benfeitores espirituais por qualquer motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio à cerimônia, infelizmente seu charuto fumegante caiu no chão e quase queimou o&lt;br /&gt;pé de Arnaldo, que solícito como lhe era habitual, imediatamente o pegou do chão e, distraído com a quantidade de fumaça que era capaz de soltar e, antes mesmo de conseguir devolvê-lo, foi surpreendido pelo carcereiro com a boca na botija, ou melhor, com o charuto fumegante na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova voz de prisão e multa contra Arnaldo que já se encontrava inclusive preso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais se teve noticia do coitado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-4802889291522885445?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/4802889291522885445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=4802889291522885445' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/4802889291522885445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/4802889291522885445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2009/08/arnaldo-morreu.html' title='arnaldo morreu'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-2278037265796621500</id><published>2009-02-13T03:56:00.000-08:00</published><updated>2009-02-16T14:17:27.454-08:00</updated><title type='text'>Parte 1</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Arnaldo não duvidou de si mesmo ao ver sua imagem refletida no espelho. Tanto sofrimento havia decerto tirado um pouco de sua jovialidade e muito de sua crença em uma ordem natural das coisas, das pessoas e do mundo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mesmo assim, como que desafiando a sucessão natural dos fatos, ali estava ele, olhando-se no espelho e se achando um rapaz ligeiramente atraente. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Dobrou as mangas da camisa até acima dos cotovelos, de tal forma que seus braços naturalmente fortes, traço inegável de uma masculinidade não escolhida, ficassem visíveis para aquela sujeitinha que iria vê-lo após tantos meses de ausência se que fazia mais presença do que a própria presença em pessoa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Estivessem tais coisas submetidas à sua pequena tirania, Arnaldo nao hesitaria em tornar visível outra coisa. Para sermos ainda mais honestos com essa miserável figura, era a sua descrença em tudo que um dia havia assumido uma feição de ordem, que deveria alcançar os altos graus de visibilidade. Não os seus malditos braços ! &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;De toda forma, conseguiu ainda pensar que seus braços poderiam estar tatuados, forma comum de se mostrar coisas a terceiros. Ao menos naquela noite, desejara isso. E ainda que isso fosse absurda contradição ao seu perene horror às coisas definitivas de qualquer espécie. Para ele, riscos imutáveis na pele assumiam a forma de verdadeiro desespero em forma de ânsia.&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ainda assim, desejara que em sua pele estivesse escrito alguma coisa grandiosa, uma frase em latim, por exemplo. Coisa fina mesmo, visto que palavras concisas mas de significado incontestável expressariam toda a dor - seguida da superação - a que fora submetido desde a separação.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Às dez da noite, Arnaldo sacou o telefone celular do bolso de sua calça de linho cuidadosamente guardada durante toda a longa semana, e constatou: "É chegada a hora". Um frio absurdamente gélido percorreu-lhe toda a espinha indo repousar apenas em seu ventre, provocando-lhe um sem número de contrações involuntárias.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mesmo assim, respirou fundo e caminhou apressadamente até o bar. Almejava realmente chegar antes dela, para que pudesse se sentar sozinho na mesa, pedir um conhaque com limão em homenagem à sua própria juventude e a aguardar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ao chegar no bar, ela pagaria por tudo ! Tendo de caminhar uma considerável distância da porta de entrada até a mesa em que se encontrava, ela teria tempo suficiente para ver que apesar de tudo, ele ali estava, altivo, forte, envelhecido mas ainda ostentando alguma dignidade. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tinha absoluta certeza que ela pensaria imediatamente ao vê-lo sentado no bar: "&lt;em&gt;ele ainda é belo. Mas sua beleza já está gasta&lt;/em&gt;". Mas isso pouco importava. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outra coisa que ela pensaria, mas nesse ponto Arnaldo cultivava sérias dúvidas, era a de que a tola se arrependeria de tudo ! Ora só ! O momento perfeito seria o arrependimento sentido apenas na visão dela sobre si mesmo sentado melancólica-altivamente no bar. Se não fosse antes das palavras serem ditas pelos dois, não seria nunca ! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Arnaldo havia efetivamente trabalhado para isso acontecer.&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesse meio tempo em que se tornaram estranhos, ele havia se instruido. Tal como acontecera com inúmeros presos que se aproveitaram da reclusão para se dedicarem às leituras religiosas, políticas ou filosóficas, emergindo das grades muitas vezes como líderes de massa, o fato é que Arnaldo usara seu exílio forçado para crescer: em questão de meses se habituara com o universo dos russos, dos franceses e dos latino-americanos. Aprendeu a ler poesia com alguma maestria e até mesmo chegou a seduzir deliberadamente uma ninfeta ao recitar um fragmento de verso que havia decorado, enquanto a massageava nas costas.&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Se aquela noite era uma guerra, se aquele reencontro colocaria frente a frente antigos aliados que agora se debatiam no campo de batalha, não havia dúvida alguma que Arnaldo se sentia confiante por seus meses de árduo treinamento.&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Pois então, chegada a hora como havia constatado, Arnaldo se lembrou de que um item importante havia sido vergonhosamente esquecido: os cigarros ! Sem tatuagens nos braços ainda vai. Não se tatua assim da noite pro dia ! Ainda mais alguma frase em latim, coisa mais morta do que mulheres sensíveis à inteligência de um homem. Mas os cigarros eram imprescindíveis.&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porém, com a ausência fundamental dos cigarros, esse novo item que ela desconhecia, Arnaldo consultou seu relógio telefone e teve a certeza de que teria tempo suficiente para comprá-los na banca de jornais postada ali perto, na esquina da Rua Mersault com a Rua dos Amantes. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Levantou-se rapidamente e se pôs a caminhar com a convicção de um soldado em campanha, rumo a um prostíbulo qualquer de uma cidade invadida. Para Arnaldo, os cigarros não precisavam necessariamente serem belos nem fortes, poderiam ser daqueles do tipo suave, em que a nicotina desce afagando de carinhos a garganta. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De toda forma, ali estava Arnaldo, estacionado defronte à banca de jornais, com moedas na mão e um plano em pleno prosseguimento. Tudo rigorosamente se desenrolava como havia planejado: seus braços, seu discurso, a mesa escolhida no bar, o clima, o conhaque que beberia, os cigarros, tudo ! &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nenhuma minúcia ficara fora de seu planejamento e sua natural aversão a ordens de todo o tipo encontrava ali seu único, poderoso e contraditório óbice: quando se tratava de armar alguma coisa para a sua própria vida, Arnaldo era tão meticuloso que poderia ser chamado de caxias. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tanto é verdade que quando olhou para o lado e viu aquele sujeito propositadamente mal vestido, com uma atitude falsa de segurar uma garrafa numa mão e um revólver na outra, olhando com afinco para dentro da banca de jornais, pensou consigo mesmo: "&lt;em&gt;Esse mendigo não deveria estar aqui. Pelo menos não desse jeito.&lt;/em&gt;" &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mal terminou seu pensamento e um estampido de disparo do revólver empunhado pelo mendigo rompeu com os naturais ruidos da rua, alcançando até mesmo a pacata vida de Arnaldo, que viu tombar, com a cabeça sangrando, o dono da banca de jornais, que nesse momento ainda segurava o maço de cigarros de nicotina suave.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(continua)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-2278037265796621500?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/2278037265796621500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=2278037265796621500' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/2278037265796621500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/2278037265796621500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2009/02/arnaldo-nao-duvidou-de-si-mesmo-ao-ver.html' title='Parte 1'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-5766280673873954108</id><published>2009-01-30T05:42:00.000-08:00</published><updated>2009-01-30T12:49:37.308-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Um dia, lá pelo ano de 2007 ou 2006, bem acompanhado eu fui até uma favela no Parque Bristol, em São Paulo, lá onde funcionava o &lt;em&gt;Centro Cultural Maloka&lt;/em&gt;, um lugar onde acontecia, aos sábados à noite, saraus de poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca fui lá muito frequentador de saraus, embora ache que quando feito com sincero espírito poético desavergonhado, encanta até a mais dura alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha cabeça doentia, sarau mesmo é aquele em que a gente se senta numa taverna ao lado de &lt;em&gt;Lord Byron &lt;/em&gt;e bebe vinho até cair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas claro, a gente lê também e tenta entonar a voz conforme o ritmo dos versos, conforme a tensão que eles nos impõem, cambaleando entre a fina textura da voz que clama pelo amor perdido até a mais voraz escarrada de revolta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite a gente caminhou por vias estreitamente tortuosas da favela do Parque Bristol. Encravejadas umas nas outras, atropelando-se mutuamente as casas, muitas vezes achei que um simples escorregão me jogaria sentado no sofá da sala daquela família reunida que assistia a novela, dado que uma fina parede de papel as separava da tortuosidade das ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se bem que haveriamos de vencer essa dificuldade, pois que a poesia - mesmo que fora de moda, não há mais paciência para ela -havia se embrenhado também naquele lugar, como nós mesmos, vencendo pontes de madeira sobre córrego fétido e ruas anônimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo já vencido, lá dentro não diferiu das coisas tortas. Mas que surpresa ! Um sarau integrado massivamente por crianças ! Nas mesas havia profusão de coisas: pincei Carlos Drummond, pesquei Vinicius de Moraes, odiei ver Manuel Bandeira em pedaços e me encantei com a dor de amor de Florbela Espanca. Mais um monte de outros: Ferreira Gullar, Álvares de Azevedo... Será que vi mesmo um &lt;em&gt;Poe &lt;/em&gt;jogado em algum lugar ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada havia de ruim nas vozes trêmulas e inseguras das crianças que se arriscavam nos versos. Também elas tinham de vencer tortuosidades várias de um mundo nascido para ser duro. Um alvoroço pela próxima leitura até que na minha vez eu preferi não ousar, mandei qualquer um de Drummond na certeza de que ninguém erra nessa escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nem sei quais daquelas criaturas ainda leem poesia, quais ainda vão a um sarau, qual vai ser poeta a expressar a dor de seu tempo. Vai saber. Que importa ? Se elas se lembrarem, daqui há muito tempo, que um dia leram poesia em voz alta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora ! Eu me lembro de uma noite de minha infância em que escondi embaixo de meu colchão - como viria a fazer com algum baseado anos mais tarde - um livrinho que falava sobre um louco que se julgava cavaleiro e era apaixonado por Dulcinea, enquanto ouvia pérolas de seu fiel amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por que diabos fui me lembrar dessa remota lembrança ? Vai saber ! Acho que o mundo que vem pela frente deve ser tão tão merda, que eu desejo a todas elas que um dia se lembrem de que leram algo que poderia significar uma coisa diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas podem estar encarceradas em penitenciárias ou em luxuosos palácios, mas como diz &lt;em&gt;Rilke&lt;/em&gt;, mesmo um homem preso em uma cela horrível é capaz de olhar para dentro de si e resgatar as sensações e as histórias da infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois eu fui embora com o espírito algo leve. Poesias com vozes infantis. Tortuosidades. Paredes sem reboco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, mais tarde, ainda comi uma &lt;em&gt;pizza&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-5766280673873954108?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/5766280673873954108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=5766280673873954108' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/5766280673873954108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/5766280673873954108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2009/01/um-dia-la-pelo-ano-de-2007-ou-2006-bem.html' title=''/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-1465496172139885149</id><published>2009-01-16T20:42:00.000-08:00</published><updated>2009-01-16T14:42:58.223-08:00</updated><title type='text'>A literatura salva e depois abandona</title><content type='html'>Iniciaram um diálogo rápido mas substancial, daqueles em que não há desperdício de palavras, rodeios ou passos em falso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O que é que você tá lendo nesse fim de ano ?", perguntou o nobre &lt;em&gt;gaijin &lt;/em&gt;alemão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o que ouviu a seguinte resposta: "hmmm... o mais relevante é que ando lendo os contos da &lt;em&gt;Virginia Woolf&lt;/em&gt;. Logo o primeiro trata de duas irmãs que são educadas para o casamento e se deparam, em uma festa, com um outro tipo de mulher, uma mulher que se interessa pela vida, pela política, pelos pensamentos. O amor é apenas mais um departamento, não a loja toda."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Parece bom realmente. Mas encontrar uma mulher assim também deve ser difícil..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Por isso que é vale a pena se refugir em contos... Lá acontece, ué ! Mas me diga, o que é que você está lendo agora ?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"De relevante mesmo, coisa que tem marcado, é um livro de um escritor alemão contemporâneo. Basicamente é um livro que retrata como ele conseguiu se curar, se libertar, por meio da literatura!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ah é ? Não posso negar que isso é interessante, pois que é real. Mas sempre suspeito de pessoas que se salvam por meio de qualquer coisa... mas...... me fale mais sobre esse alemão !"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não sei tanto assim. Mas sabe um cara que tem cerca de trinta anos, que passou por uma história amorosa, ou deveria dizer mesmo uma frustração amorosa, e que ficou tão mal com tudo isso, que resolveu contar sua história ? Pois então, é isso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E aí escreveu um livro..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É ! Escreveu um livro. A gente pode dizer que o cara se salvou por meio da literatura. E mais do que isso, um monte de gente se reconheceu na história dele, né, e aí o cara ficou conhecido e virou escritor de vez. É aquela coisa de sempre: o amor é tão óbvio que muitos se reconhecem nas histórias alheias."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É a inevitável obviedade mesmo.... Mas sabe que é uma história encantadora ? Tem lá seu charme, não é? Imagine isso acontecendo comigo !"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;gaijin&lt;/em&gt; ironizou o doce sonho do amigo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Escritor paulistano que virou escritor porque tomou um pé na bunda da amada. Escreveu tanto mas tanto que várias pessoas igualmente frustradas como ele se enxergaram na história e compraram seu livro."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rindo, o preterido escritor concordou: "Tem razão ! Mas eu deveria inserir alguns pontos que certamente o alemão desconhece: histórias de família, pecaminosas, sabe ? Nelson Rodrigues, meu caro..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Claro ! E aí você seria mais um a se salvar por meio da literatura... ainda que ficasse um pouco sujo com ela também. De toda forma, não é interessante um cara que tem mais ou menos nossa idade fazer isso ?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Realmente.... até se questiona se a literatura pode salvar de fato. Logo eu que desconfio de salvamentos... Mas é uma coisa interessante sim...afinal... foi por meio da literatura... Porra, vou confessar vai, é uma história bonita pra caralho. Esse alemão poderia ter se matado, virado crente, louco, sei lá. Mas objetivou sua história, elaborou suas frustrações e criou algo..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sim...Há um mérito do cara... 'Salvar-se !' Não é para todo mundo..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E antes que encerrassem a conversa, lembrou-se de um detalhe importante que havia lhe escapado à mente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Porra ! Já tava esquecendo. Não foi só a literatura, não ! Na mesma época que ele escreveu o livro, já estava com uma outra mulher também, coisa forte e tal..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ah é ? Caralho... Você não deveria me dizer isso ! Quer dizer então que o filho da puta escreveu, tá certo, mas ao mesmo tempo ele já estava amando de novo ? Já tinha outra mulher... é isso ?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É isso aí..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Só vou dizer uma coisa, tá ? Vai tomar no cú ! Ninguém se salva é porra nenhuma ! Ah ! E foda-se a literatura também !"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rindo muito, o &lt;em&gt;gaijin&lt;/em&gt; construiu e descontruiu impunemente um sonho que não deveria jamais ter se esboçado naquela frágil criatura !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despediram-se e foram embora. Decerto se sentiram mais leves - mesmo que mais frustrados - pois largaram a tal da literatura lá no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carregar peso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais !&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-1465496172139885149?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/1465496172139885149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=1465496172139885149' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/1465496172139885149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/1465496172139885149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2009/01/literatura-salva-e-depois-abandona.html' title='A literatura salva e depois abandona'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-3196564856721505373</id><published>2009-01-13T03:27:00.000-08:00</published><updated>2009-01-13T04:02:55.166-08:00</updated><title type='text'>Cão</title><content type='html'>Se fosse antigamente, isso seria uma fotonovela.  Nos tempos modernos é uma fotonovela mais sofisticada, com narração e trilha sonora. Cai meio de gaiato nessa história, mas o resultado me agradou também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Um cão. É isso que eu sou, um cão. Ele manda, eu ataco. Ele manda, eu paro… Merda acontece. Mas o salário paga bem. Não é pela grana. O negócio todo é não precisar pensar. É confortável ter alguém pensando por você, alguém que toma as decisões."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.balaiobranco.com.br/2008/10/cao/"&gt;http://www.balaiobranco.com.br/2008/10/cao/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficha técnica:&lt;br /&gt;Texto, Música e Edição:Rodrigo van Kampen&lt;br /&gt;Fotografia:Carol Dargel&lt;br /&gt;Narração:Thiago Scabello&lt;br /&gt;Modelo:Alex Pantoja&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-3196564856721505373?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/3196564856721505373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=3196564856721505373' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/3196564856721505373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/3196564856721505373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2009/01/co.html' title='Cão'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-4455647363871686823</id><published>2009-01-12T07:16:00.001-08:00</published><updated>2009-01-12T09:39:44.215-08:00</updated><title type='text'>guerra e paz</title><content type='html'>Fogos luminosos explodiam no ar, formando arcos coloridos que se espalhavam pelos céus como se subitamente estes tivessem ousado assumir o lugar das águas do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas areias, de tudo: de Iemanjá a saltos desconcertados sobre as ondas, de garrafas que emporcalhavam a praia até resoluções irreais para reconfortar a mesmice. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que não havia nada de novo naquilo que de novo recomeçava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para cada fogo, para cada explosão, naquele &lt;em&gt;reveillon&lt;/em&gt; de 2009, uma angústia inesperada se apoderava de meu peito, na medida em que a certeza de que a muitos e muitos espaços dali, fogos e explosões &lt;em&gt;de verdade &lt;/em&gt;caiam como um inferno na terra, sob as cabeças de muitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é nada fácil encontrar algum pensamento próprio que seja seguro e isento de paixões potencialmente prejudiciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa história lamentável do conflito bélico entre judeus israelenses e muçulmanos palestinos, que nesse exato momento ocorre sobretudo na pequena extensão de terra da Faixa de Gaza, minha impressão é que tudo - ou quase tudo - é incompreensível por um lado, um verdadeiro "diálogo de loucos", mas que é tudo também certo e esperado, por outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícil é a abstração da força descomunal que é a fé religiosa, exaltada pelos dois lados do conflito. Analisar a guerra atual apenas sob o ponto de vista religioso, embora ele seja importantíssimo, seria desconsiderar os demais fatores preponderantes:  o político em primeiro lugar, seguido dos fatores econômicos e culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Focar uma guerra como essa apenas do ponto de vista econômico e político, por sua vez, seria amplamente insuficiente diante do verdadeiro oxigênio em fogueira, que é a convicção teísta escancarada por todos os envolvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde encontrar um ponto seguro para analisarmos a verdadeira tragédia que se manifesta numa bomba que explode em uma escola da &lt;em&gt;ONU&lt;/em&gt;, matando crianças que não pediram para estar naquele lugar ? Onde encontrar um equilíbrio quando mísseis do &lt;em&gt;Hamas&lt;/em&gt;, disparados a partir de instalações civis, igualmente mata israelenses do outro lado da fronteira ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos, sem sobra de dúvida, fixar um possível marco fundamental nesse conflito armado, que se deu exatamente na criação do Estado de Israel, no período pós-segunda guerra, sem que se atentasse com firmeza para o fato de que ali já era território ocupado pelos palestinos em tempos anteriores e que, retirá-los desse território para que viessem a ocupar sua periferia, seria uma estratégia inevitavelmente equivocada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um centro quase que exclusivamente judeu em meio a uma mar de descontentamento muçulmano seria a concretização máxima da renúncia a uma convivência pacífica e compartilhada do mesmo território, por populações com convicções diferentes.  Nisso houve falha dos aliados vencedores, se não quisermos enxergar mesmo uma política claramente definida de escolha de um dos lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que não há mais volta - ao menos não uma volta sem sangue - e o Estado de Israel já está amplamente consolidado. Assim como os incontáveis palestinos que mais do que um povo retirado do território que ocupavam, se tornaram refugiados nas periferias da terra de onde outroram ocupavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho da violência, fustigado pela fé religiosa de ambos os lados, nada mais faz do que expressar em balas e projéteis aquilo que deve ser mesmo insolúvel: uma fé não se compactua com a outra. Um nasce para odiar o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem pode prever o rastro que se seguirá da atual guerra ? Se houver ainda dois lados ao final dela, quem poderá prever a carga de ódio germinada a partir do que acontece hoje aos nossos olhos ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como podemos escolher um dos lados, de forma segura, se cada qual se encontra imbuído da mais imbecil convicção religiosa a lhe motivar os sorrisos ao contabilizar os mortos do outro lado da fronteira ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não há porto seguro, se não há lado que se possa escolher com alguma certeza, sem que essa escolha implique em reconhecer que há injustiças também pelo lado escolhido, que há vítimas e algozes em quaisquer dos lados, ainda que um lado mais do que outro, então a escolha deve ser - como já apontado por &lt;em&gt;Marcos Nobre&lt;/em&gt; em sua coluna semanal na Folha de São Paulo - &lt;em&gt;uma militância radical pela paz. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo imediato cessar-fogo e trégua na absurda guerra que acontece hoje, para que com a intermediação de outros protagonistas mundiais, possa se estabelecer um patamar mínimo de negociação sem infligir baixas horríveis, sem  mortes de crianças, com algum resquício de razão nessa verdadeira loucura que é esta guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Voltaire&lt;/em&gt; - sempre ele - estava mesmo coberto de razão: as religiões seguem o binômio autoritarismo e conformismo. Quem nela está inserido deve se conformar aos ditames impostos sem questionamentos profundos. Quem nela não está inserido, deve ser excluído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Militância radical pela paz não quer dizer discurso pacifista inconsequente e ingênuo.   Mas você - eu - que não mataria qualquer um por um discurso maniqueísta, consegue dizer qual dos loucos é o menos louco ?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-4455647363871686823?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/4455647363871686823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=4455647363871686823' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/4455647363871686823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/4455647363871686823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2009/01/guerra-e-paz.html' title='guerra e paz'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-3570308901831167995</id><published>2009-01-09T19:10:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T13:22:48.145-08:00</updated><title type='text'>Tudo que é humano se corrompe</title><content type='html'>Normalmente, quando algo começa, impregna-se dos maiores desejos de êxito os projetos a que se decide canalizar alguma energia. União de esforços individuais, criação de esforço coletivo, sonhos e projeções, todos estão na raiz dos grandes projetos levados a cabo pela humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob a denonimação de grandes projetos temos de tudo, independentemente do valor ou julgamento histórico, ético e político que se possa fazer sobre seu conteúdo: do anarquismo ao nazismo, da escravidão à terceirização, do mercantilismo ao capitalismo &lt;em&gt;high-tech, &lt;/em&gt;da luta dos primatas contra a supremacia da natureza até o atual ecologismo, do processo de criação da democracia ao longo dos tempos, dos mais diversos caminhos e meios criados para a elevação do espírito do homem, alcançando até mesmo o mais simples projeto individual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inexiste projeto humano que não esteja impregnado da essência que lhe confere exatamente esse caráter: a capacidade de lidar com um futuro inexistente e incerto, a partir de uma perspectiva positiva e otimista, havendo em cada um dos projetos uma tentativa de superação da realidade e crença em um certo futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, se por um lado há esse caráter esperançoso em qualquer projeto, tirânico ou não, por outro constata-se que a natureza humana tinge com outra cor os mesmos projetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela simples aplicação da regra de que &lt;em&gt;tudo que é humano se corrompe&lt;/em&gt; atingimos uma ceifa universal: após delírios e esforços, após crescimentos e vítórias, dos louros se segue inevitavelmente a corrupção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos mais belos sistemas políticos já idealizados e postos em prática pelo homem, não se pode negar que os mesmos foram também corrompidos por culpa do mesmo. Nas mais belas relações amorosas, a corrupção oriunda do homem rompe a integridade com que outrora se definiu o amor. Nos mais íntegros sistemas de ética concebidos, a prática humana foi capaz de deitar por terra uma vida virtualmente virtuosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo as religiões construídas a partir do desemparo humano, encontram seus limites, suas dúvidas, quando colocadas em choque com o real do homem no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há algo, assim, que não pode ser definido como simples pessimismo na compreensão geral das coisas, mas sim como marca que carrega aquilo que é projetado pelo homem, é que sua falibilidade a todo momento nos dá prova de sua existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também é isso &lt;em&gt;ser &lt;/em&gt;o&lt;em&gt; humano.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-3570308901831167995?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/3570308901831167995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=3570308901831167995' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/3570308901831167995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/3570308901831167995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/11/tudo-que-humano-se-corrompe.html' title='Tudo que é humano se corrompe'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-2982859591627743524</id><published>2009-01-06T04:41:00.000-08:00</published><updated>2009-01-06T05:08:38.287-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Tema recorrente aqui, disso não há sombra de dúvida, é a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não é a morte, socorro-me de seus correlatos, de suas consequências de toda ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim é que as renúncias, evanescimentos, perdas de objetos reais e imaginários, funeral, caixões, são apenas variações semânticas, por vezes literárias, dos &lt;em&gt;abismos de todo gênero&lt;/em&gt; que contaminaram os textos nesses tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao cumprirem diligentemente uma de suas funções, a de evidenciar a minha &lt;em&gt;intolerância &lt;/em&gt;à finitude das coisas e às diversas nuances da aspereza do real, posso me reconhecer, com  marca indelével na testa, de que não passo de um homem em estado infantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ao diluir-me nas minhas representações de morte que me revolto contra minhas saturações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma morte programada, planejada, calculada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-2982859591627743524?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/2982859591627743524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=2982859591627743524' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/2982859591627743524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/2982859591627743524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2009/01/tema-recorrente-aqui-disso-no-h-sombra.html' title=''/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-5492788372431052725</id><published>2008-12-25T15:35:00.001-08:00</published><updated>2008-12-26T06:10:29.056-08:00</updated><title type='text'>O Célio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Célio passava sabão nos cabelos castanho escuros de modo que os mesmos pudessem ficar em pé indefinidamente. Inspirado em um suposto grupo de amigos que jamais me foi apresentado, Célio tinha apenas dois orgulhos: intitular-se como &lt;em&gt;punk&lt;/em&gt; para aquele bando de garotos e garotas que era obrigado a ver diariamente - eu entre eles - e aterrorizar todas as meninas do colégio mediante técnica de inversão de pálpebras dos olhos, o que em questão de segundos provocava repulsa coletiva à sua pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada tinha a ver Célio com a minha vida de bom garoto. Ao menos naquela época eu era um menino que dormia rigorosamente às nove horas da noite, logo após o Jornal Nacional, e não pregava meus olhos sem que cumprisse o ritual noturno: eu e meu irmão rezávamos conduzidos pela missa particular de minha mãe, com as mãos em forma de concha voltadas para cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, lá vinha ele: Célio. Corpo esquálido e desajeitado, rosto triangular e magro, boca na qual mal se percebiam os lábios tímidos. A figura dele remete à imagem de &lt;em&gt;Sid Vicious&lt;/em&gt;, mas não há dúvida de que tal imagem se contamina de alguma romantização.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com seus olhos oblíquos e atentos e suas conversas dissonantes de meu mundo, rapidamente Célio se tornou meu primeiro amigo repetente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos na quarta série e ele havia repetido de ano. Sendo um ano mais velho do que todos nós e já com esse currículo diferenciado, Célio era - ainda que subrepticiamente - um certo líder de bando. Eu ? Não sei porque eu fui erigido a uma condição que se assemelhava a um secretário-geral: preparava o palco, chamava o público e também tinha meus momentos de brilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei o que Célio e eu fizemos exatamente. Mas o fato é que essa amizade bandida me fazia bem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As rezas noturnas à noite com minha mãe, passaram a servir de munição para as missas cômicas que eu celebrava diariamente perante meus colegas de escola. Falava em tom sacerdotal, apontava a cada um dos meus amigos e bradava "&lt;em&gt;irmãaaaos&lt;/em&gt;".... como súplica a sua atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Célio costumava encerrar essas missas com seu espetáculo particular de inversão de pálpebras. Nada a ver com manifestações demoníacas, mas tão somente porque eu já cansara a platéia com meu humor esforçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais me esqueço de Célio. A gente não tinha nada a ver um com o outro, mas algo dentro de mim era despertado por aquele repetente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso, eu continuava sendo um bom garoto, disso não se duvide. Dividíamos a mesma sala, parceiros de carteira, coisa de ficar lado a lado mesmo, dividindo as borrachas perfumadas e compartilhando os apontadores de lápis em forma de capacete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi numa aula do Prof. Jesuíno que nitidamente nossas naturezas se manifestaram de forma visceral e anunciaram que aquela amizade não prosseguiria além daquele ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela aula eu só tinha uma preocupação: ganhar o livro &lt;em&gt;O&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Pequeno Príncipe&lt;/em&gt; de &lt;em&gt;Saint-Exupéry&lt;/em&gt; que seria dado pelo professor ao aluno com as melhores notas do bimestre. Eu era bom aluno e tinha boas notas - reflexo do militarismo estudantil de minha mãe - e tinha plena convicção de que o livro era absolutamente meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Célio eu me lembro que mal sabia ler e estava se lixando para o livro, tanto é que ao ouvir minha revolta com a derrota na competição - o livro havia sido dado a um garoto de voz fina que a gente odiava - me olhou fixamente, fez desaparecer seus lábios já inexistentes com uma mordida e passou a cantar uma música muito conhecida na época, tempos de &lt;em&gt;Rock in Rio&lt;/em&gt;, intercalando as frases da música com socos muito fortes na parede ao lado da carteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde aquele dia eu bem compreendi que era diferente de Célio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em casa eu chorei diante da perda do livro e me lembrava dos duros socos dados por ele contra a parede. Lembrei também que no futebol, Célio era rei naquilo que ninguém queria ser: goleiro. Não havia receio ! A cada bomba que vinha das nossas pernaças ele não saia da frente, se jogava contra a bola ao contrário de esperá-la vir em sua direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Socos na parede, hematomas no corpo, prazer naquilo que todos rejeitavam, falta de medo de boladas doloridas e inversão de pálpebras: esse era Célio, um verdadeiro masoquista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, ao fim do ano, a gente nem forçou nada. Célio repetiu novamente e saiu do colégio. Nunca mais o vi e nem tive qualquer tipo de notícia. Dali para a frente eu fiquei amigo de muita gente repetente, bem me lembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa lembrança de uma época única, o colégio, com todas as suas pequenas glórias e tragédias, permanece tão vívida em razão de sua naturalidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nada tendo a ver um com o outro, Célio e eu tornamo-nos bons amigos por um ano. Sem forçar, sem preparar, sem se esforçar. Amigos, naturalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é assim que acontecem as coisas boas da nossa vida ?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-5492788372431052725?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/5492788372431052725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=5492788372431052725' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/5492788372431052725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/5492788372431052725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/12/clio-passava-sabo-nos-cabelos-castanho.html' title='O Célio'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-7114209578648025830</id><published>2008-12-23T04:33:00.000-08:00</published><updated>2008-12-23T08:22:15.666-08:00</updated><title type='text'>lógica elementar: 8 - 80 - 8</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A gente sempre começa com um silogismo aristotélico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Qualquer sujeito é tolo. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu sou sujeito.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Logo, eu sou um sujeito tolo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O que torna válido um silogismo é que a conclusão deve obedecer as premissas, sob pena de ser um silogismo falso, como esse que segue abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O amor submete o homem.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Já a paixão o liberta.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Todo homem submetido&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;é um homem verdadeiramente idiota.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O desacordo da conclusão com as premissas, nesse caso, é que invalida o silogismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que as premissas sejam verdadeiras, tais como a submissão e a libertação provocadas pelo amor e pela paixão, delas não se segue necessariamente que &lt;em&gt;todo homem submetido é verdadeiramente idiota. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E mais, há um acerto intrínseco na afirmação da idiotice do homem e na submissão do amor, mas como um não leva ao outro, então não vale o silogismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em certas ocasiões a vida dá tapa na cara. Gostariamos mesmo de viver em meio a silogismos vários, com premissas facilmente manipuláveis e conclusões das mais saudáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Endossaríamos mesmo assim os discursos exaltando as imprevisibilidades da vida, mas apenas naquilo que nos surpreende positivamente. Para o que nos provoca o &lt;em&gt;mal, &lt;/em&gt;bastaria uma simples manipulação das causas para alteração da conclusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensava nisso tudo numa triste noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um caminhão havia me atropelado e o motorista sequer parou para me prestar socorro. Sai das ferragens retorcidas assemelhadas a um polvo de mil braços a me prender no fundo do mar, até o momento em que daria a última, fatal e profunda inspiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achando que era ar, respirei água e me propiciei a morte. Conclusão não válida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha premissa era sair vivo das ferragens. Vivo. Cambaleante ferido sangrando mas corpo vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma só noite a gente varia. Mas que coisa terrível !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um demônio apertou minha nuca como se quisesse esmagá-la entre seus dedos. Deitou sobre mim seu cobertor malévolo. Um corpo preso e pesado sustentando uma cabeça de mil quilos a vagar pela cidade maldita. Pensamentos obscuros me traziam o horror da existência e a obsessão da morte se mostrava verdadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não disseram que filosofar nada mais é do que se preparar para morrer ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já disse, em uma só noite a gente varia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leveza com sorrisos ! Um brinde a todos vocês, meus queridos amigos !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vocês eu bebo nessa noite e sou capaz de contar anedotas e histórias que fariam todos vocês rirem. Deixem-me falar e deixem-me sorrir sem fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vocês é que - naquela adorável noite - senti a leveza dos mais delicados e suaves passos de uma bailarina por quem me apaixonei na infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aquela bela garota que exaltava &lt;em&gt;Kant&lt;/em&gt; exaltava muito mais do que &lt;em&gt;Kant&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estariam meus olhos famintos denunciando minha etérea felicidade de éter ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Banharam-me com calor humano sem o saber. Que importa ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa só noite a gente varia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite tem uma sacola de litros infinitos e dentro desses litros cabe de tudo. Enquanto alguém sorri tem um outro que chora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é aqui é capaz de sentir a dor do outro ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gélido como nada semelhante. Um corredor de hospital é só um corredor que leva a outros lugares. Mas nele se escondem artifícios e paredes impregnadas de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não importa quem se salvou ou quem se deixou levar pela elegante e suave condução da morte em seu baile. No baile da dona morte, os únicos convidados são ela e o dono da vida. Cada medo é uma valsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um corredor é apenas um lugar que leva para outros lugares, mas quando as paredes, as esquinas, o chão e o teto estão todos impregnados de morte consumada ou evitada, a gente sabe bem que está em domínio alheio. Comportemo-nos, pois, como educados hóspedes que sabem se portar em cada um dos diferentes lugares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali, naquele corredor, ela - a morte - é soberana. Todos eles se vestem impecavelmente de branco apenas para se esquecerem disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Submetidos a contingências várias vamos nos fantasiando por aí: do mais dócil cavalheiro que tem boas histórias a contar, munido de seu belo sorriso nos lábios, até o pesado rapaz que enxerga a morte no mais doce morango enfileirado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é que está preparado para isso ? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-7114209578648025830?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/7114209578648025830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=7114209578648025830' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/7114209578648025830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/7114209578648025830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/12/lgica-elementar-8-80-8.html' title='lógica elementar: 8 - 80 - 8'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-754247538950468909</id><published>2008-12-10T06:15:00.000-08:00</published><updated>2008-12-10T07:47:26.213-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Aos 16, ela desejava que todos os bancos, todas as lojas, todas as empresas, todas as universidades, todas as igrejas e todas as famílias explodissem espalhando seus fragmentos pelo campo de batalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 18, ela resolveu se organizar em coletivos, experimentar a união dos trabalhadores e dos estudantes. Ela queria se auto-gestionar, como sempre ouviu e repetiu. Enfastiou-se de colar lambe-lambes pelos postes e paredes da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 24 ela saiu da universidade e já trabalhava. Ainda nutria ódio por quase tudo mas já era tolerante o suficiente para entender que a derrocada de um exército não começava com a morte do general.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 30 nasceu seu filho e, com ele, se viu obrigada a deixar certos egoísmos de lado e pensar em um futuro minimamente digno e humano para si, para seu filho e para sua família. Mas a sua moral, pensava ela, estaria sob eterna guarida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 36 já estava completamente lambuzada pelo óleo que permite que as engrenagens das máquinas - todas elas - possam funcionar com o menor desgaste possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 41 se surpreendeu quando abriu os jornais e leu que grande parte das empresas que tanto odiara aos 16, como &lt;em&gt;Honda&lt;/em&gt;, General Motors e &lt;em&gt;Ford&lt;/em&gt;, estavam na iminência de uma quebra definitiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda sob os 41, chocou-se com gravidade ante a constatação de que não pensava mais nos grandes chefes das grandes empresas. Mas pensava em cada uma das famílias da grande massa de desempregados e seus filhos, vítimas da falência geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 50, montou sua primeira árvore de Natal. Com a ajuda de seu filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 57 se horrorizou quando após reencontro com antiga colega de universidade, teve de assumir para si mesma que o úlimo livro lido tinha sido o "&lt;em&gt;Pensar é transgredir", &lt;/em&gt;de Lya Luft.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos anos atrás era &lt;em&gt;Voltaire &lt;/em&gt;que a encantava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 64, adoeceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 67 morreu de câncer. E homenagens fúnebres ao melhor estilo cristão lhe foram prestadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-754247538950468909?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/754247538950468909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=754247538950468909' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/754247538950468909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/754247538950468909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/12/aos-16-ela-desejava-que-todos-os-bancos.html' title=''/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-4700149026302762713</id><published>2008-12-01T13:26:00.000-08:00</published><updated>2008-12-01T08:46:25.006-08:00</updated><title type='text'>Meu primeiro encontro com Deus</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_uJQXobHMEjY/STQUFjtqntI/AAAAAAAAACg/ljyeripsC-4/s1600-h/moira.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274863149276372690" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 186px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_uJQXobHMEjY/STQUFjtqntI/AAAAAAAAACg/ljyeripsC-4/s320/moira.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Visceral como a raiva, nada mais é, dado que a raiva drena a seiva da vida e da morte. Quando germinada de uma mentira, quando não furiosamente extirpada, transforma-se em monstro incontrolável em incessante procriação diária." W.M.R. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/em&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/em&gt;Naqueles tempos, havia uma espécie de erva daninha que já me era familiar desde a mais tenra infância.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na praça defronte a minha casa pude a conhecer com suficiente profundidade, sendo que jamais havia me passado pela cabeça, até então, que uma simples e pequena planta, de caule quebradiço e raízes facilmente arrancáveis, pudesse carregar nome tão maldito como aquele.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Elas - as daninhas ervas - e isso era fato comprovado, multiplicavam-se flagrante e geometricamente por toda a pequena vastidão de terra que era a praça, nela se estendendo como lençol verde e homogêneo deitado deliberadamente sobre sua extensão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não era muito conveniente, também nesses tempos, os esforços diários para se extipar a praga que se chamou de daninha. Aprendi com meu pai que o pinheiro que acabávamos de plantar poderia não suceder na vida caso aquela profusão que era o lençol verde lograsse vitória na batalha cotidiana pelo espaço, pela água, pelos nutrientes e pela luz.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim é que a lembrança desses delicados tempos me impõe esforço hercúleo: a dificuldade para rememorá-los equivale à grande tarefa que consistia em preservar um espaço livre das ervas que prejudicavam a vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas no frescor da minha vida isso não era assim tão difícil. A tarefa de extipar as daninhadoras para preservar a vida do pinheiro me era extremamente gratificante. A gente - meu pai e eu - se esforçava unicamente para que pudessemos ver o florescimento natural da vida do pinheiro e nosso esforço era diariamente recompensado pela espera.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;A gente arrancava mas também esperava. E quando esperavamos, tínhamos nossa recompensa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desde cedo constatei, por obra de meu pai, que bastaria esperar, após trabalhar, para que a alegria acontecesse.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim era com o pinheiro e assim deveria ser com as outras coisas. Não importava que para crescer, era necessário matar. Tal conta não se formulava nessa época: só com a morte das daninhas é que conseguiríamos a vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por outro motivo, existiu um certo dia em que eu também tive de esperar. Dessa vez me foi exigido algo muito mais complicado e para o qual meu pai não havia me preparado diretamente. Eu já havia esperado outras vezes em tempos anteriores, e já havia insculpido em meu espírito virgem a convicção de que o esforço que precedia a espera era recompensador.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez por isso, naquele dia de céu azul, um dia que era comum para o mundo inteiro, mas que se deitou sobre mim como sombra malévola de ilusão adquirida e perdida, a coisa não se sucedeu de forma igual.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Naquele dia ... dia que me estremece os lábios e que faz suar com largas gotas meus olhos riscados por ondas vermelhas ... eu também esperei pacientemente. Também me regozijava pela minha paciência aprendida, do pinheiro que merecia viver à erva que merecia morrer, eu esperava aquele momento em que sorriria pela evidência da vitória: a vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei muito bem como ocorreu, diante da distância dos anos e da necessária couraça com a qual me vesti.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sei apenas que a coisa toda aconteceu exatamente da mesma forma como eu fazia com as ervas daninhas: minhas mãos bastavam para arrancar convictamente suas raízes e seu caule. Em segundos, ela já não mais vivia. Em questão de segundos também meu pai foi tirado de alguém que mal lhe conheceu. Uma dor no braço esquerdo que se estendeu para um coração parado e que se abateu sobre uma família de emigrantes do norte.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na nossa &lt;em&gt;moira, &lt;/em&gt;os fios da vida haviam sido cortados&lt;em&gt; &lt;/em&gt;sem hesitação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas mesmo assim eu esperei, exatamente da mesma forma como havia aprendido. Acho que havia sim alguma boa intenção, alguma tentativa de remediar essa tragédia particular, a justificar as palavras daquela senhora que me consolava na minha pueril ignorância de quem não compreendia mas sentia o peso de uma morte que ainda então não lhe era lícito avaliar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há outro motivo para terem me pedido para esperar ? Corri para o lugar mais aberto da casa, o lugar no qual eu poderia ter a mais ampla visão do céu azul que mostrava apenas uma infinita parcela de sua vastidão. De lá eu poderia assistir ao retorno de meu pai, envolto em nuvens, rodeado de Deus e de santos, trazendo um pequeno pinheiro em suas mãos ele me daria um abraço, um abraço diferente de todos os outros que já havia recebido, dado que seria o primeiro abraço pós-morte dado nos braços de seu filho que sentia sua estranha falta, sua cotidiana lágrima.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;A cada naco de nuvem que se aparentava a um pequeno borrão, até às mais complexas formas de navios e cabeças que passavam diante de meus olhos, eu esperava com paciência infinita. Passado um bom pedaço de tempo, confirmei que as nuvens - todas elas - haviam se esquecido de trazer meu pai de volta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nenhuma delas foi capaz de atender a promessa que havia sido feita para mim, por aquela senhora de coração bom mas de ignorância ímpar quanto ao efeito que uma simples espera provocaria em um ser habituado a esperar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deus não agiu e meu pai desapareceu para sempre. A promessa da ingênua senhora se descumpriu e isso ninguém é capaz de apagar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dias depois fui capaz de chorar pela promessa irreal, com minhas mãos segurando aquela pequena gravata envolta em discreta embalagem de cartolina azul. Presente que eu não esperei mais para dar, diante da proximidade da lata de lixo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Naquele triste dia de nuvens bailando pelo céu azul, de promessa descumprida, de retorno irrealizado, de espera paciente, tive meu primeiro encontro com Deus.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para nunca mais desejá-lo na vida. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-4700149026302762713?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/4700149026302762713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=4700149026302762713' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/4700149026302762713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/4700149026302762713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/10/meu-primeiro-encontro-com-deus.html' title='Meu primeiro encontro com Deus'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_uJQXobHMEjY/STQUFjtqntI/AAAAAAAAACg/ljyeripsC-4/s72-c/moira.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-4217747604107786996</id><published>2008-11-17T10:44:00.000-08:00</published><updated>2008-11-24T09:50:46.405-08:00</updated><title type='text'>Vicky Cristina Barcelona</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A história do último filme de &lt;em&gt;Woody Allen&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Vicky Cristina Barcelona, 2008, Estados Unidos/Espanha&lt;/em&gt;) é basicamente a seguinte: duas amigas norte-americanas vão passar férias em Barcelona, uma delas, &lt;em&gt;Vicky&lt;/em&gt;, estudante da cultura catalã e prestes a se casar, e a outra, &lt;em&gt;Cristina&lt;/em&gt;, solteira, com um curta-metragem irrelevante em sua carreira de cineasta e atriz. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Embora amigas e compartilhando opiniões comuns, ambas discordam quando o assunto em pauta é o amor: para &lt;em&gt;Vicky&lt;/em&gt; nada melhor do que a segurança de um casamento com um bom homem, responsável e educado, tal como seu noivo. Já para &lt;em&gt;Cristina&lt;/em&gt;, nada de certezas sobre suas vontades positivas, a não ser sua certeza negativa de saber o que não almeja para sua própria vida. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Chegando em Barcelona, onde se hospedam na casa de conhecidos, se inicia a peregrinação pelos pontos turísticos e históricos da bela cidade, inclusive com visitas a exposições de arte, até que em uma certa noite, ao jantarem em um restaurante, são abordadas por um homem desconhecido, bastante galanteador, que as convida clara e abertamente para uma viagem a &lt;em&gt;Oviedo&lt;/em&gt;, onde poderão se conhecer melhor, beber vinho e fazer sexo, em suma, uma viagem para &lt;em&gt;enjoy the life. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;Com alguma relutância de &lt;em&gt;Vicky&lt;/em&gt;, as duas partem para &lt;em&gt;Oviedo&lt;/em&gt; em companhia desse então desconhecido, chamado &lt;em&gt;Juan Antonio&lt;/em&gt;, pintor e artista plástico, filho de um poeta que não divulga suas poesias e recém-separado de sua ex-esposa, &lt;em&gt;Maria Elena&lt;/em&gt;, também pintora. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;O que se segue é que &lt;em&gt;Juan Antonio&lt;/em&gt; sucessivamente conquista &lt;em&gt;Cristina&lt;/em&gt;, depois &lt;em&gt;Vicky&lt;/em&gt; e após as conquistas, retoma a relação com sua ex-esposa &lt;em&gt;Maria Elena&lt;/em&gt;. Retoma a tal ponto que esta, após tentativa de suicídio, passa a viver sob o mesmo teto que o ex-marido e sua já companheira &lt;em&gt;Cristina&lt;/em&gt;, surgindo então, após período de adaptação e estranhamento recíproco, um trio amoroso forjado em descobertas amorosas e sexuais, que termina com o retorno de &lt;em&gt;Cristina&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Vicky&lt;/em&gt; aos Estados Unidos. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Com as escusas da sinopse com gosto amargo de Folha de São Paulo, o novo filme de &lt;em&gt;Woody Allen&lt;/em&gt; é sim interessante. Em geral, aborda os assuntos cotidianos em relação aos quais gastamos boa parte de nossas vidas tentando compreender: relacionamentos amorosos, diferenças ideológicas e culturais, a construção de si mesmo mediante projetos futuros e as renúncias que inevitavelmente devem ser feitas na vida. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Como já é praxe na carreira de&lt;em&gt; Woody Allen&lt;/em&gt;, é o amor que desencadeia tanto os sonhos como as frustrações das personagens, dando vazão ao tipo categórico da neurótica, da romântica, da idealista, da pragmática e demais que habitualmente compõem o universo  de &lt;em&gt;Allen&lt;/em&gt;. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Até aí não há nada de extraordinário, pois é inegável que o universo humano, com suas dores e suas alegrias, é fonte inesgotável de reflexões e ironias, não residindo aqui o que julgo ser o ponto frágil do filme, uma vez que as artes em geral não se furtaram nunca de nos apresentar o humano, mesmo quando mostrado em tintas e palavras heróicas. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;O que realmente é o ponto fraco em &lt;em&gt;Vicky, Cristina, Barcelona&lt;/em&gt;, é que o cotidiano humano tenha sido mostrado a partir de arquétipos que não ultrapassaram o &lt;em&gt;lugar comum,&lt;/em&gt; não se libertando disso nem mesmo a própria cidade - Barcelona - na qual se passa a história. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Assim é que duas das principais personagens, &lt;em&gt;Vicky&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Cristina&lt;/em&gt;, mulheres norte-americanas advindas do mundo protestante e pragmático que são os Estados Unidos, ainda que de sua ala mais liberal (Nova York), experimentam todos os dilemas amorosos, as tentações da carne e da alma - escolhas nas quais se projetam seus valores - na cidade, evidentemente latina, de Barcelona. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ora, a chata expressão &lt;em&gt;caliente&lt;/em&gt; tem muito do que se diz ser a alma do latino: emotivo, idealista, movido a paixões. Arrebatador, muitas vezes. Para isso então, imponha-se Barcelona! &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;em&gt;Woody Allen&lt;/em&gt; se utiliza disso para nos introduzir o mais perfeito chavão do personagem latino: &lt;em&gt;Juan Antonio Gonzales&lt;/em&gt;, sujeito com cara de cavalo (como me disseram), mas &lt;em&gt;artista&lt;/em&gt; (entenda a ironia...), sedutor ao extremo, cara de pau, filho de poeta excêntrico, que leva uma vida boêmia e aparentemente sem preocupações materiais, coisas que apenas europeu nato sabe o que é. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Falamos aqui do mais típico e sedutor galã latino, que vê nas pobres pragmáticas norte-americanas, duas presas fáceis para seu belo discurso. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Some-se a isso outros exemplos de &lt;em&gt;lugar comum&lt;/em&gt;: a oposição artista X executivo, aquele dotado de sensibilidade e este de monstruosidade. Aquele como paradigma de um espírito livre e este como o próprio dinossauro do conservadorismo.  &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ou então, o artifício do chamado &lt;em&gt;amor livre &lt;/em&gt;entre Juan Antonio, Cristina e Maria Elena, com direito inclusive a discurso padrão de Cristina, já então &lt;em&gt;descolada&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;modernosa&lt;/em&gt;. Evidentemente não se trata de afirmar que o &lt;em&gt;amor livre &lt;/em&gt;não possa de fato libertar de certos entraves, mas quando o mesmo é colocado em contraste com o &lt;em&gt;amor monogâmico&lt;/em&gt; apresentado praticamente como uma relação entre idiotas (Vicky e seu noivo), assume um tom maniqueísta que remete - inevitavelmente - aos romances panfletários de Roberto Freire. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Assim como nem toda relação monogâmica é uma relação entre idiotas, embora muitas o sejam, nem toda relação amorosa livre é uma relação de fato libertadora. Perde muito em profundidade e seriedade a história, ao fazer tão previsível contraposição de mundos: &lt;em&gt;artista-descolado-trepo com todo mundo&lt;/em&gt; X &lt;em&gt;casal chato e burro que quer uma casa&lt;/em&gt; &lt;em&gt;high tech e um casamento romântico na Espanha. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;É natural que um filme limite a abordagem psicológica das personagens. Não há muito tempo para tais nuances. Mas os maniqueismos presentes no filme de Woody Allen quase o contaminam por completo, não chegando a tanto diante das pequenas e constantes reviravoltas no desenrolar da história, assim como na constatação final vivida por Cristina: não se preenche a existência do eu eternamente incompleto e insatisfeito no outro. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;De toda forma, ao expor os dilemas humanos tais como a exigência da afirmação de valores mediante as escolhas cotidianas, o conflito entre diferentes moralidades e a busca pela construção de si mesmo (sobretudo Cristina), o filme é um que vale a pena ser assistido. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Lamento apenas é que as ambiguidades tão tipicamente humanas - não sendo monopólio de artistas ou executivos - tenham sido deixadas de lado em nome dos lugares comuns que facilitam - mas emburrecem - a história.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-4217747604107786996?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/4217747604107786996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=4217747604107786996' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/4217747604107786996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/4217747604107786996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/11/vicky-cristina-barcelona.html' title='Vicky Cristina Barcelona'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-7617324885135931095</id><published>2008-11-14T10:39:00.000-08:00</published><updated>2008-11-17T02:30:48.770-08:00</updated><title type='text'>leão cansado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sabe o que é, o que sente e como se comporta um &lt;em&gt;leão cansado ? &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O amargor do fel apodrecido que preenche sua boca repleta de dentes afiados por tantas presas devoradas ao longo dos anos, moldaram - definitivamente - seu caráter. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As carcaças das presas - curiosa e simultaneamente vítimas e algozes - deixaram marcas por todo o seu corpo e, de seu estômago, de seu intestino, de todo e qualquer órgão que lhe compõe, é possível identificar cada rastro, cada marca, que deixaram impressos ao deslizar suavemente a partir do colchão áspero e úmido da grande língua. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um &lt;em&gt;leão cansado &lt;/em&gt;é assim: já não mais ataca, já não mais parte em busca da caça. Talvez por excesso de orgulho, talvez simplesmente por já ter desistido de antemão. Não importa. Apenas e tão somente aguarda que a presa - seja ela qual for - se aproxime de seu raio de ação. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não subestime a expressão constante de sono e preguiça, tampouco o corpo estendido sobre a relva ou sobre o asfalto: é no descanso que se elaboram os melhores planos, as melhores caças. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Note que inúmeras, centenas e milhares de infinitas pequenas moscas rodeiam incessantemente a cabeça de um &lt;em&gt;leão cansado. &lt;/em&gt;Pretendem elas, e disso não há a menor dúvida, infernizar a vida mansa, calma e pacífica do rei selvagem. Mas o que faz ele ? Apenas chacoalha sua grande cabeça, sacoleja seu rabo com ponta peluda, afasta temporariamente as moscas ao seu redor, para, assim, atingir momentânea paz. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando está em bando, com seus iguais, o &lt;em&gt;leão cansado&lt;/em&gt; já não os vê como rivais, já não disputa com ferocidade a demarcação de espaços, já não se importa mais com disputas sanguinárias por fêmeas e provisões, seja lá quais forem. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao contrário, um estranho e novo clima de confraternização se instala. Todos eles não precisam sequer rugir, sequer empreender quaisquer esforços para atingirem uma compreensão mútua. Entreolham-se, simplesmente e, como em um passe de mágica, tudo já está entendido e nada mais é necessário. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enganam-se de forma cabal e concreta aqueles que pensam que pelo fato de estar exausto, o &lt;em&gt;leão cansado &lt;/em&gt;se tornou inofensivo. Uma vez rei e uma vez feroz, a realeza e a ferocidade reacendem em questão de segundos. Não mais do que um estímulo é necessário para isso: provoque-os e será capaz de experimentar a selvageria incontrolável daqueles que têm dentro de si o mais puro sumo da natureza em seu estado mais viril. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Experiências que se repetiram ao longo dos anos sugaram a juventude inocente dos leões. O espólio da juventude perdida é a parca sabedoria. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As lutas constantes e as derrotas cotidianas, permeadas de algumas vitórias, drenaram suas forças ao máximo. O despojo do cansaço é troféu: gasta força necessária apenas naquilo que interessa, naquilo que vale. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A perspicácia de um verdadeiro &lt;em&gt;leão cansado &lt;/em&gt;reside exatamente naquilo que nos é mais óbvio: não force a natureza, as coisas têm seu tempo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Crítica justa, porém, e motivo de tristeza entre os exauridos leões, é que aquele amargor de fel apodrecido não abandonará jamais vossas bocas.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(para os trintões que compartilham e criaram a idéia, naquela noite de lamentos e risadas)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-7617324885135931095?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/7617324885135931095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=7617324885135931095' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/7617324885135931095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/7617324885135931095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/11/leo-cansado.html' title='leão cansado'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-6462976693350206917</id><published>2008-11-06T11:37:00.000-08:00</published><updated>2008-11-07T13:53:54.541-08:00</updated><title type='text'>Barack Hussein Obama</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Então tá ! Animais políticos que somos, vivendo na cidade (e não na &lt;em&gt;polis&lt;/em&gt;) , rendo-me ao fato mais importante da semana e, talvez, dos últimos tempos. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passadas algumas horas da euforia provocada pela vitória de Barack Obama ao cargo de presidente dos Estados Unidos da América, não resisto a um esboço de breve análise. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É fato de importância histórica inegável que um negro, pouco mais de quarenta anos depois das lutas de emancipação e pelos direitos civis nos EUA, tenha alcançado o mais alto posto político do país e, em escala global, dado o poder econômico, cultural, político e militar, o equivalente hodierno a um&lt;em&gt; Cesar. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas também é fato que, paralelo a essa constatação, a sociedade norte-americana permanece inegavelmente racista: assim como no Brasil, a grande maioria da população carcerária é de negros, sendo que lá, ao contrário daqui, os negros são minoria na totalidade da população. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É sabido que muitos têm rotulado Barack Obama como um presidente "pós-racial", fruto de uma época em que a raça não teria peso importante, não sendo mais parâmetro para aferição de competências de um homem político. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No entanto, é igualmente sabido que a extrema maioria dos negros norte-americanos votaram em Obama. Não só negros, evidentemente, mas se um candidato mobilizou o povo negro dos EUA, foi Obama. Além do mais, quem assistiu a algumas imagens das horas seguintes à vitória democrata, pôde constatar os incontáveis rostos banhados em lágrimas. Todos eles de negros ! &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda sobre o curioso e obscuro fenômeno chamado de &lt;em&gt;pós-racial, &lt;/em&gt;sabe-se que durante toda a longa campanha do candidato Obama, evitou-se ao máximo o pronunciamento público de negros conhecidos, em apoio à sua candidatura, pois temia-se enormemente a vinculação oficial de Obama como o candidato dos negros. Visava-se, assim, ao voto dos brancos norte-americanos. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou você viu alguma manifestação pública de apoio - durante a campanha - por pessoas com largo poder de influência na mídia, tais como atores e atrizes negros de &lt;em&gt;Hollywood, &lt;/em&gt;músicos&lt;em&gt; (&lt;/em&gt;especialmente os&lt;em&gt; rappers), &lt;/em&gt;esportistas e afins ? &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembremos que durante a campanha para derrotar &lt;em&gt;George W. Bush&lt;/em&gt; em sua reeleição, em 2004, diversos roqueiros - brancos - se uniram em shows que atravessaram os EUA (&lt;em&gt;Rock for Vote&lt;/em&gt;), para pedirem que os jovens - brancos - saíssem de casa para votar em &lt;em&gt;John Kerry&lt;/em&gt;, então candidato democrata. Será que o povinho do rock, à época, preocupou-se em não vincular &lt;em&gt;Kerry&lt;/em&gt; a uma escolha dos brancos ? Evidente que não ! Um branco vencer a eleição para presidente é fato comezinho. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chama a atenção também o caráter messiânico com que se temperou a reação pública - não só norte-americana, mas global - em razão da vitória de Obama&lt;em&gt;. Yes, we can &lt;/em&gt;! se repetiu infinitamente em quase todos os países do mundo, a ponto de minha mãe repetir o bordão enquanto acariciava a cebola com sua faca. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Também nesse ponto não há exatamente uma novidade. Quem se recorda da vitória de Lula, em sua primeira eleição, experimentou - com as devidas mudanças - sensação semelhante. Há uma descarga natural de sonhos, expectativas e projeções direcionada ao símbolo do poder mundial: o presidente dos EUA. Quando esse se mostra, ainda, sob a pele de homem democrático (multilateral, como dizem os jornais hoje), equilibrado, ponderado e advindo de uma minoria, então o fenômeno é razoavelmente compreendido. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No entanto, não nos enganemos. O perfil sedutor e magnético esbanjado por Obama tem muito do mais simples contraponto que o mesmo representa em relação ao &lt;em&gt;velho, &lt;/em&gt;ao &lt;em&gt;desgastado&lt;/em&gt; e ao atualmente &lt;em&gt;odiado&lt;/em&gt; &lt;em&gt;George W. Bush&lt;/em&gt;. Oito anos de &lt;em&gt;Bush&lt;/em&gt; - que conseguiu ser mais odiado no mundo inteiro do que o próprio &lt;em&gt;Bin Laden&lt;/em&gt; - facilitaram a exploração desse perfil por Obama. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Política não se faz em discursos. Assim como em tudo, são os atos que definirão o perfil e o estilo de Obama. É em meio a uma provocação de algum país qualquer, a um atentado com bombas, na imposição de democracias a países que não a solicitaram, é ao ponderar questões cruciais que simbolizam o ódio mundial aos EUA, tais como o uso da tortura como método oficial de investigação pela CIA, as prisões em &lt;em&gt;Abu Ghraib&lt;/em&gt; e em território cubano, o próprio bloqueio comercial de décadas a Cuba, a política bélica sem limites, o total desmantelamenteo do papel político da ONU provocado pelo conceito de guerra preventiva adotada por &lt;em&gt;Washington&lt;/em&gt;, o desprezo pelos temas ambientais, entre tantos outros. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É nesse contexto e em tais assuntos que se afirmará o real perfil de Obama, sendo que até lá viveremos - ou viverão, se me for permitida alguma dose de lucidez - um verdadeiro conto de fadas, tendo como elementos essenciais o homem visto como um Messias e um povo branco expiado parcialmente de sua culpa racista. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, no fim das contas, sempre vale um sábio lembrete: um presidente dos EUA é, sempre, um eterno &lt;em&gt;filho da puta&lt;/em&gt;. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É condição&lt;em&gt; sine qua non&lt;/em&gt; para o cargo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-6462976693350206917?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/6462976693350206917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=6462976693350206917' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/6462976693350206917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/6462976693350206917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/11/barack-hussein-obama.html' title='Barack Hussein Obama'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-572030065147662266</id><published>2008-10-28T05:20:00.000-07:00</published><updated>2008-10-28T07:03:44.099-07:00</updated><title type='text'>i want to believe</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Budistas acreditam no desapego.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Comunistas acreditam na história - ente autônomo dotado de vontade própria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cristãos acreditam na salvação eterna. E nos pecados. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Racionais acreditam na razão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Emotivos, por sua vez, na autenticidade e espontaneidade das emoções.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Empregados acreditam em bons salários. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Advogados e juízes acreditam na justiça. Ou ao menos se contentam com a juridicidade da mesma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Empresários acreditam em si mesmos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Políticos profissionais acreditam no bem público.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Filósofos acreditam na sabedoria. Ainda que sem o amor. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Músicos acreditam serem capazes de mudar o mundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas pintores, poetas e escultores, acreditam poder embelezá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Professores acreditam na educação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Jornalistas acreditam ser possível alguma comunicação. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Médicos acreditam na saúde.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Coveiros acreditam na morte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Economistas acreditam piamente em previsões. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Aikidokas&lt;/em&gt; acreditam em harmonia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim também os vegetarianos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Psicólogos e psicanalistas acreditam enxergar luz nas sombras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Espiritualistas acreditam em transcendências.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Anarquistas acreditam numa - estranha - boa natureza humana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já os ecologistas, em uma natureza boa. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Niilistas acreditam na impossibilidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Escritores acreditam que algo deve ser dito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Amantes acreditam na entrega.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E uma boa maioria acredita que tudo está pré-determinado pelos desígnios do além. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Inexoravelmente das crenças nos alimentamos. Um verdadeiro massacre. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até que um vendaval - seja ela humano ou natural - lambe as crenças e as faz desaparecer subitamente. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tornamo-nos então céticos. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Para passarmos a acreditar nas dúvidas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-572030065147662266?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/572030065147662266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=572030065147662266' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/572030065147662266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/572030065147662266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/10/i-want-to-believe.html' title='i want to believe'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-7704728328796839040</id><published>2008-10-23T15:11:00.000-07:00</published><updated>2008-10-24T07:30:56.761-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Senta-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E suado, escreve, apaga, corrige, relê, interpreta, reescreve, ruboriza, apaga, escreve, odeia, desiste, retoma, café, suor, coceira, tiques, alonga, desiste. Abre o botão da camisa e assopra seu peito, na vã esperança de palavras lhe dominarem os dedos. Quer apenas alívio. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Num só ato contínuo, que se inicia no desespero de nada conseguir escrever que seja relevante...ou melhor... nada de relevâncias ! &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Algo que seja simplesmente afirmação concreta de um querer dizer que não se manifesta, algo que atravesse a constatação que sangra a obviedade de que embora uma infinidade de coisas precisem ser ditas - nada efetivamente é dito - , não vê outra envergonhada e ultrajante solução que não seja reconhecer que muitas vezes, é melhor desistir de antemão a ter de suportar o angustiante sentimento de alguém que - tal como um intestino repleto de bolo fecal dos dias passados que se contenta apenas com poucos gases borrifados no ar - quer dizer e não encontra meios para tanto. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Melhor seria ser poeta. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Poeta é escravo das palavras e um bom escravo sempre cumpre rigorosamente seu mister.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-7704728328796839040?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/7704728328796839040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=7704728328796839040' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/7704728328796839040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/7704728328796839040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/10/senta-se.html' title=''/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-5501492161511217590</id><published>2008-10-14T12:50:00.000-07:00</published><updated>2008-10-14T12:56:17.252-07:00</updated><title type='text'>sobre o Aikido</title><content type='html'>Em Setembro de 2003, isso era o que o Aikido me provocava, conforme texto escrito à época, que já pela forma, até mais do que pelo conteúdo, me provoca inegável estranheza:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ontem, uma sensação estranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de uma figura que exala um conhecimento invejável que busco a todo custo alcançar, mesmo contando com minha mediocridade, senti-me bem por poder simplesmente estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconstruindo uma espécie de "mito", quebrando expectativas. Nunca me sinto bem ao enxergar dentro de mim essa espécie de devoção a essa cultura e a esse conhecimento que tanto me atrai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja a serenidade que tanto invejo. Talvez seja meu desejo de fortalecer-me de forma inteligente. Talvez eu queira aprender e ter em mim, como raízes fincadas no solo, coisas que jamais poderão ser extraídas... por quem quer que seja...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei até onde vai essa minha fascinação - coisa tão tipicamente ocidental - para as artes e para o &lt;em&gt;modus vivendi&lt;/em&gt; da cultura japonesa. Pode ser um traço daquele meu antigo pensamento de que existe, em algum lugar físico ou mental, algo que seja realmente diferente da melancolia e da tristeza do mundo em que vivemos hoje...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu então sugo a seiva. Sem saber ao certo para onde busco realmente ir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mão segurando um copo de chá quente. E a gélida sensação de saudade daquele momento presente que não era ainda o passado, percorreu-me o espírito em movimentos circulares e tão familiares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento, meus olhos se desviaram e tive a certeza de aquele par de olhos riscados notou meu incômodo."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-5501492161511217590?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/5501492161511217590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=5501492161511217590' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/5501492161511217590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/5501492161511217590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/10/sobre-o-aikido.html' title='sobre o Aikido'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-2368746127162530769</id><published>2008-10-10T13:39:00.000-07:00</published><updated>2008-10-10T13:44:11.209-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Ri muito de mim mesmo. Ri tanto, mas tanto que durante todos segundos em que perduraram os risos, toda minha existência não mais fez qualquer sentido reconhecível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o que eram todos os meus problemas e frustrações enquantou eu podia simplesmente rir ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada ! A não ser os próprios motivos dos risos. Estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em alguma parte de mim havia algo que ridiculariza os meus entraves. Sabotava as minhas tristezas. Relevava minhas dificuldades. Desprezava meus medos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seriam nesses momentos, os dos risos, em que finalmente deparava-me com minha lucidez ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo adquirira o sabor do real contorno da verdade... Mas a náusea... Mas a náusea chegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os risos estúpidos silenciaram. A onda assolou-me. O morcego voou sobre mim e suas asas negras - muito maiores do que o próprio - tornaram a noite mais escura do que calabouço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A náusea é o calafrio. A vontade das lágrimas cortou meus olhos como uma navalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então com um só silêncio,  tudo mudou !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os risos cessaram e então não haviam mais motivos para chorar. A rapidez de tudo me constrangeu profundamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guardei meus problemas, meus medos, minhas frustrações e minhas folhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respirei fundo. Prossegui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu sei que você volta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-2368746127162530769?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/2368746127162530769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=2368746127162530769' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/2368746127162530769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/2368746127162530769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/10/ri-muito-de-mim-mesmo.html' title=''/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-6917631179406884787</id><published>2008-09-26T07:24:00.000-07:00</published><updated>2008-09-26T11:41:22.550-07:00</updated><title type='text'>Onirismo com Pedantismo I</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_uJQXobHMEjY/SN0NTO4V5_I/AAAAAAAAABg/njaiKwi7ebk/s1600-h/maiak.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250367364646954994" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_uJQXobHMEjY/SN0NTO4V5_I/AAAAAAAAABg/njaiKwi7ebk/s200/maiak.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Misto de sutileza da febre que, como pluma de fogo, assoprava bafo quente em meu rosto, aliado às imagens de destroços provocados pelo recente conflito armado na Georgia, vistos por parcos segundos na TV, provocou-me pedante delírio nesta noite que se passou:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sonhei com &lt;em&gt;Maiakóvski &lt;/em&gt;! Ou melhor dizendo, no meio de um sonho permeado de total escuridão, uma voz grave e decidida, atropelando-se incessantemente no enunciar das frases desordenadas, assim bradava, com o império de quem se pretende monopólio dos ouvidos:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"&lt;em&gt;Fumo de tabaco roi o ar...&lt;/em&gt;"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"&lt;em&gt;Recorda -atrás desta janela pela primeira vez apertei tuas mãos, atônito&lt;/em&gt;" &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O sujeito de voz grave também bradou outras frases, as quais morreram na infinita profusão do inconsciente que não existe (viu, alemãzinha ?). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fico ansioso em saber e angustiado por não recordar. Terá esse digno, culto e nobre visitante da minha noite ardente, recitado outros trechos que já se foram da minha memória, ou quiçá, trechos que eu desconheço por completo ? Terá ele falado de plenos pulmões além de &lt;em&gt;Lilitchka&lt;/em&gt; ? De ananás e de outras coisas mais ?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Atenção Sr. Visitante ! Caso me contemple com nova visita, e assim desejo, já aviso de antemão que odiaria ouvir essa voz grave me importunar no escuro:&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Não acabarão com o amor,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;nem as rusgas, nem a distância.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Está provado,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;pensado&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;verificado. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;A&lt;/em&gt;&lt;em&gt;qui levanto solene&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;minha estrofe de mil dedos &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;e faço o juramento:&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Amo &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;firme &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;fiel &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;e verdadeiramente. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não ! Não me venha, Sr. Visitante, com otimismos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Passar bem !&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-6917631179406884787?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/6917631179406884787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=6917631179406884787' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/6917631179406884787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/6917631179406884787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/09/onirismo-com-pedantismo-i.html' title='Onirismo com Pedantismo I'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_uJQXobHMEjY/SN0NTO4V5_I/AAAAAAAAABg/njaiKwi7ebk/s72-c/maiak.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-6626892015812169066</id><published>2008-09-23T07:44:00.000-07:00</published><updated>2008-09-26T11:42:19.042-07:00</updated><title type='text'>simbolismos e cansaços</title><content type='html'>Anos atrás, quando Lula finalmente chegou à presidência do Brasil, ecoava incessantemente entre os mais diversos setores da esquerda: um torneiro-mecânico, de origem pobre e nordestino, alcançou o mais alto posto político do país, pouco mais de dez anos após o enterro definitivo da ditadura militar brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse acontecimento histórico da política brasileira, dizia-se - ou ainda se diz - que havia um simbolismo inegável: um operário era o presidente do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tambem há anos atrás, quando nos reuniamos por meses a fio, tentando um mínimo de coesão entre grupos políticos de tendências, princípios e objetivos tão diversos, como ecologistas, anarquistas, comunistas, idealistas, estudantes, independentes, rockeiros, metafísicos, céticos etc, tentando organizar uma grande manifestação "anti-globalização", a ser reproduzida simultaneamente em diversos países do mundo, alcançávamos algum sucesso nesse intento: no dia da manifestação, a Av. Paulista ou o centro velho da cidade de São Paulo, era parado, havia visibilidade, cobertura da imprensa e violência da polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse acontecimento histórico da esquerda não institucional brasileira, dizia-se - ou ainda se diz - que havia um simbolismo inegável: a juventude, sobretudo, mostrava publicamente que a globalização não era unanimidade no pensar político, e que globalização econômica não se traduzia em justiça, igualdade e vida digna em nível global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há meses atrás, um grande amigo meu me convidou para visitá-lo em sua casa. Ao cumprir minha promessa e efetivar a visita, entre conversas e bebidas agradáveis, foi-me mostrado um pequeno quadro pintado por sua ex-companheira. No quadro, havia uma delicada pintura circular feita a tinta nanquim, na qual dois traços suaves e arredondados, separados em seu início, se espalhavam pelos espaços em branco da tela, para então se unirem agradavelmente no topo da mesma, formando um único e grosso lance de tinta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa pequena e despretensiosa pintura realizada pela ex-companheira de meu amigo, dizia-me este - e ainda me diz - que havia um simbolismo inegável: o amor já enterrado, já passado, já morto, ainda se encontrava incrivelmente vivo pela interferência do símbolo que ela havia construído para o sentimento que nutriam entre si, ainda que lágrimas deslizassem com vigor como reação à simples menção do nome da suave pintora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias atrás - em qualquer dia desses que nos embotam o espírito - um sujeito da periferia adquiriu um carro muito acima de suas possibilidades, graças a um endividamento &lt;em&gt;ad eternum&lt;/em&gt;. O tal carro era provido dos mais sofisticados sistemas eletrônicos e mecânicos, aliado a um conceito mercadológico rigorosamente planejado para atender as reais demandas do consumidor contemporâneo: embora carro por natureza, era esportivo e ecológico, traduzindo-se em um &lt;em&gt;design &lt;/em&gt;que nos impressionava pela ligação umbilical com a natureza e um certo espírito de atleta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse mais um carro fabricado sob conceitos em voga, alardea-se por aí, que há um simbolismo inegável: mais do que o carro que transporta mais velozmente do que nossas próprias pernas, o que se busca é um símbolo de consumidor consciente: preocupado com a ecologia e com a sua saúde, ao mesmo tempo em que renega um carro que o ligaria à cafonice dos executivos com seus carrões de linhas clássicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, dia vinte e dois de setembro, há poucas horas atrás, no ato ocorrido em São Paulo, que defendia &lt;em&gt;O Dia Mundial Sem Carro, &lt;/em&gt;manifestantes portando principalmente bicicletas, subiam e desciam ruas, ironizavam buzinas, suavam, xingavam e eram xingados, enquanto carros atolados no trânsito imóvel, eram ultrapassados com extrema facilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse dia de protesto, com objetivo de fazer do trânsito algo transitável, e da cidade algo menos cinza, repetiam os manifestantes para os jornalistas, os motoristas e os curiosos: é um ato simbólico contra a cultura do automóvel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi aí que já massacrado por tantos simbolismos, por tantos símbolos de coisas irreais, irrealizadas, utópicas ou simplesmente mortas, que a revolta arrebatou meu espírito, como autêntico símbolo de um inconformismo funesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sejam símbolos ! Que se espalhem por todos os ventos todos os símbolos !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que Lula não seja operário, nem seu governo um governo de e para operários e miseráveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que os manifestantes se dispersem após o fim das manifestações, após serem devidamente fotografados, filmados, entrevistados, martirizados e auto-expiados. Que a política morra após o fim de cada evento globalizado e midiático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o amor já tenha sido trocado, dilacerado, amaldiçoado ou simplesmente esquecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o carro seja simplesmente carro, ainda que o seu proprietário seja um débil "ecológico e esportista" que mal consegue subir a própria rua sem quase infartar, ou que ciclistas sejam símbolo de mundos irrealizáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que estou farto dos simbolismos.&lt;br /&gt;Hoje quero apenas as concretudes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-6626892015812169066?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/6626892015812169066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=6626892015812169066' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/6626892015812169066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/6626892015812169066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/09/simbolismos-e-cansaos.html' title='simbolismos e cansaços'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-7573651408596050880</id><published>2008-09-10T09:12:00.000-07:00</published><updated>2008-09-10T10:02:10.368-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Levante-se !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convicto, caminhe em direção ao espelho mais próximo, arregale os olhos ao limite do repuxar da pele, faça isso como se quisesse rasgá-la de uma só vez, como se toda e qualquer camada que impede a visão sobre si mesmo devesse ser definitivamente exterminada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhe para si sem dó e sem complacência. Não ! Não desvie o olhar do espelho: essa imagem refletida nada mais é do que tudo aquilo que se mostra e que resplandece quando se está sob a luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouse arrancar sua pele. Arranque-a com a fúria de quem arranca de si mesmo uma infindável coleção de abelhas que cobre um corpo atacado por enxame.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tema qualquer vexame dessa vez: seria você capaz de arrancar todos os adereços, todas as roupas, todas as tatuagens, todas as cicatrizes, todas as marcas com que se camufla o que escondemos sob um peito dilacerado ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desvencilhe-se de tudo e de todos. Afaste de si visões ideológicas solidamente construídas sobre quaisquer coisas. Mande à merda concepções religiosas sobre os fatos e sobre os ódios. Enxergue os amores como vãs tentativas de se subtrair a si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó! Por favor ! Faça uma demolição brutal sobre tudo aquilo que carrega sobre os ombros. Nesse momento já não importa mais a sua ascendência, extermine qualquer descendência e não faça pouco caso de jogar pelos ares absolutamente tudo que lhe desvie de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspire-se levemente em &lt;em&gt;Descartes&lt;/em&gt;: com ímpeto violento, remova não os tijolos do edifício, mas sim a própria estrutura que o sustenta, até vê-lo desabar agradavelmente perante seus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você já não precisa mais do cartesianismo agora: aniquile-o igualmente !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogue no lixo quaisquer preferências: seus romances favoritos não passam de jogos de encenação sobre vidas que não existem. As músicas e os ritmos que já lhe fizeram sentido terão o mesmo destino, reminiscências que são de algo inexistente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabe com qualquer orgulho sobre qualquer trabalho. Seja você burguês, comerciante, liberal, professor ou estudante. Banqueiros e bancários unir-se-ão sob a mesma bandeira. Rasguemos, pois, os diplomas e as habilitações que pesam sobre nossas cabeças outorgando-nos poderes que apenas turvam quaisquer tentativas de nos enxergarmos com alguma nitidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, já desprovido das camadas e artifícios diversos, livre de pessoas e de pensamentos que não lhe pertencem, liberto das amizades e das paixões, com olhar límpido não hesite em se questionar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O que lhe sobra e o que efetivamente é você quando liberto e desprovido de todas essas camadas ?&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-7573651408596050880?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/7573651408596050880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=7573651408596050880' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/7573651408596050880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/7573651408596050880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/09/levante-se-convicto-caminhe-em-direo-ao.html' title=''/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-8788664954555933300</id><published>2008-09-04T06:41:00.000-07:00</published><updated>2008-09-04T07:15:49.920-07:00</updated><title type='text'>inferno</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;A, B &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;C&lt;/em&gt;, são elementos que fazem parte de sua vida, sendo objetos de pensamentos, preocupações, atos e conversas cotidianas. Para o único fim de compreensão, não importa aqui se tais elementos se referem a pessoas, grupos ou lugares.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando está no A, ou quando está entre os A, embora sinta-se à vontade, sente constantemente um leve desconforto e estranho sentimento de estar &lt;em&gt;fora de lugar&lt;/em&gt;. Nesses momentos, sempre pensa que, caso estivesse em B, ou caso estivesse rodeado pelos B, certamente sentiria-se mais compreendido e realizado. "&lt;em&gt;Aí sim eu estaria entre os meus&lt;/em&gt;", pensava satisfeito.  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O fato de que mesmo quando se encontrava em ou entre os &lt;em&gt;B&lt;/em&gt;, ainda assim não encontrava a satisfação esperada, era algo extremamente incômodo e sobre o qual relutava terminantemente em refletir com honestidade. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nessas situações, o desejo de estar novamente em &lt;em&gt;A&lt;/em&gt;, ou ainda, a intuição de que se não estivesse ali agora, mas se estivesse lá com os &lt;em&gt;C &lt;/em&gt;no exato momento em que lhe invadia o desconcerto ante aos olhares perscrutradores dos &lt;em&gt;B, &lt;/em&gt;dominavam-lhe com fúria suas emoções descontroladas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se a salvação, enfim, era estar em &lt;em&gt;C&lt;/em&gt;, ou mesmo que o salvar-se fosse estar mergulhado nas relações com os &lt;em&gt;C&lt;/em&gt;, era absolutamente inadmissível que sentisse - como de fato sentia - aquele vazio profundo que preencheria um abismo, no exato momento em que nada além ou aquém de e dos &lt;em&gt;C&lt;/em&gt; estava diante de si. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando isso lhe ocorria, logo retornava também o desejo de estar em &lt;em&gt;B&lt;/em&gt;, sem deixar de lhe ser claro, no entanto, de que mesmo quando os &lt;em&gt;A&lt;/em&gt; estavam ao seu redor, também os &lt;em&gt;C &lt;/em&gt;se faziam necessários mesmo encontrando-se ausentes.  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi então na contradição do infindável ciclo de satisfação irrealizada, incompleta e incontrolável: serpente que devora infinitamente a si mesmo, que descobriu o &lt;em&gt;inferno&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-8788664954555933300?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/8788664954555933300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=8788664954555933300' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/8788664954555933300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/8788664954555933300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/09/inferno.html' title='inferno'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-8807880724232358835</id><published>2008-08-26T11:50:00.001-07:00</published><updated>2008-08-26T13:52:00.752-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Não poderia ter sido antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só foi depois que senti o corpo estafado mas já estabilizado na poltrona vermelha, que descansei meus braços doloridos na grande mesa maciça e desocupada, que empurrei meus pés confortavelmente contra a parede áspera, que senti o percurso gélido de uma cerveja se iniciar na língua e rapidamente avançar em direção à minha garganta e ao meu estômago, só a partir daí é que pude realmente ouvir toda a gama de instrumentos tocarem o &lt;em&gt;jazz, &lt;/em&gt;e sendo que apenas nesse momento me certifiquei que não havia possibilidade de explicar aquilo que se deliciava nos meus ouvidos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Reconhecia uma certa melodia, e dentro dessa melodia, reconhecia também um ritmo. Da melodia e do ritmo que eu julgara já conhecer, buscava um padrão, haveria uma repetição na música que ouvia, e essa repetição me certificaria da existência de uma certa ordem natural das coisas. Não importava como e tampouco quando, os devaneios dos músicos seriam livres, loucos e destemperados, eles fingiriam a todo tempo não saber para onde voltar, improvisariam em bases seguras, mas, certamente, voltariam à mesma melodia e ao mesmo ritmo, assim como sempre volta para o ninho aquela criatura que tanto se arrisca durante o dia, confirmando a lei natural .&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O diabo é que eles não voltaram ! Tal como aquele padre maluco que se jogou por aí ao sabor dos ventos acariciando o balão - admirável esse padre, não ? - os músicos não voltaram ao que eu esperava, e meu sentimento natural de retorno ao ninho: quente, aconchegante e conhecido, teve de ser rapidamente substituido por uma instantânea compreensão dos fatos. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem ouviu aquele &lt;em&gt;jazz&lt;/em&gt;, ouviu. Quem não o ouviu com atenção, praticamente o perdeu de vez. Não haveria nova sessão e mesmo que os músicos resolvessem tocar tudo de novo, rigorosamente igual, algo me dizia que eles seriam incapazes de tal feito. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com furor havia concluido que o &lt;em&gt;jazz &lt;/em&gt;é assim mesmo: imprevisível dentro de sua previsibilidade. A sequência das notas obedece apenas à livre manifestação da consciência de quem as toca, sem qualquer plano anterior que possa garantir o rumo que será seguido. Balizas existem, ao menos ? Talvez apenas aquelas que garantam a delícia dos ouvidos: ritmo e melodia...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tendo abdicado do desejo de encontrar o retorno ao conhecido na música que ouvia, a constatação seguinte era eivada da mais pura obviedade: a vida - ó ente ingrato - também é &lt;em&gt;jazz!&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-8807880724232358835?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/8807880724232358835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=8807880724232358835' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/8807880724232358835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/8807880724232358835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/08/no-poderia-ter-sido-antes.html' title=''/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-7648397976013553714</id><published>2008-08-20T13:19:00.000-07:00</published><updated>2008-08-20T13:22:42.068-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_uJQXobHMEjY/SKx8uMNmrJI/AAAAAAAAABE/RVzCT7tS1IM/s1600-h/aikido+fea.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5236697599719156882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_uJQXobHMEjY/SKx8uMNmrJI/AAAAAAAAABE/RVzCT7tS1IM/s400/aikido+fea.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;                                   Circularidade: Aikido !&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-7648397976013553714?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/7648397976013553714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=7648397976013553714' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/7648397976013553714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/7648397976013553714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/08/circularidade-aikido.html' title=''/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_uJQXobHMEjY/SKx8uMNmrJI/AAAAAAAAABE/RVzCT7tS1IM/s72-c/aikido+fea.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-8153194303254206985</id><published>2008-07-14T04:58:00.000-07:00</published><updated>2008-07-14T06:03:03.200-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;Que se fodam&lt;/em&gt; meus joelhos doloridos e minha perna lesionada.&lt;br /&gt;O que me importava unicamente era pisar com toda minha força na areia granulada, sentindo meus pés descalços afundarem naquela massa bege e compacta violentada pelo meu peso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que se fodam&lt;/em&gt;, também, minhas costas avermelhadas como sangue e o ardor provocado pelas roupas que a todo tempo as roçam. Nada mais era importante além do sol que me queimava deliberadamente o couro, desprovido de proteção, sem qualquer pudor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que se fodam&lt;/em&gt; meus pulmões. Colocá-los a todo limite e atingir o grau de quase inconsciência provocado pelo incessante arfar nada mais era do que um doce exercício solitário em meio a tantas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que se foda&lt;/em&gt; essa chama interna do corpo que sempre fraqueja. Corri com sorrisos solitários em direção à mais gélida água falsamente aquecida pelo sol de inverno. Gritei a plenos pulmões enquanto meu peito, minhas nádegas, meu abdômem e meu pescoço eram irremediavelmente envolvidos pelo cobertor fluido e sedutor que era a água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que se fodam&lt;/em&gt; todas as mágoas.&lt;br /&gt;Todas as tristezas.&lt;br /&gt;Todas as lágrimas que molham o deserto.&lt;br /&gt;Ontem eu era corpo que sorria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-8153194303254206985?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/8153194303254206985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=8153194303254206985' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/8153194303254206985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/8153194303254206985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/07/que-se-fodam-meus-joelhos-doloridos-e.html' title=''/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-3278824731729364138</id><published>2008-07-10T11:14:00.000-07:00</published><updated>2008-07-11T13:45:14.971-07:00</updated><title type='text'>Definindo-se em "não ato"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;(acredite ! superada a chatice dos primeiros parágrafos, talvez depois fique engraçadinho)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem conhece um pouco da filosofia de Sartre, ou mesmo suas obras literárias, certamente deve ter sentido - ainda que não compreendido - o peso do bloco fundamental para a compreensão dos principais temas sartrianos, que é a noção da responsabilidade do homem na construção de si mesmo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Segundo Sartre, não existindo uma natureza humana que anteceda a existência do homem (expresso como "a existência precede a essência"), este nada é ao nascer, só vindo a ser alguma coisa, conforme aquilo que ele próprio vier a escolher para si mesmo. Nesse sentido, são seus atos que conferem a própria essência que o definirá. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Nessa linha, o homem não nasce bom, corajoso, malvado ou covarde. Mas faz-se assim a todo instante, conforme as escolhas que forem efetuadas, nas situações concretas efetivamente vividas, assumindo assim uma essência de &lt;em&gt;homem que&lt;/em&gt; &lt;em&gt;se faz &lt;/em&gt;bom, corajoso, malvado ou covarde. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Evidentemente, ao afirmar a inexistência de uma natureza humana anterior à existência do próprio homem, a filosofia de Sartre dispensa a figura e o papel de Deus como regente do mundo e dos homens. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Sendo o homem lançado em um mundo de contingências absolutas, apenas e tão somente a ele cabe o peso e a responsabilidade (no que lhe é efeito causal imediato, a &lt;em&gt;angústia&lt;/em&gt;) de construir a si mesmo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Em nossas vidas, no estado atual, somos capazes de identificar a relação causa e efeito entre o que somos hoje e as escolhas que fizemos no passado ? Não se trata de buscar relação de causa e efeito para eventos que são essencialmente contingentes (ter nascido no Brasil e não em outro lugar; ser proveniente dessa família e não daquela; ter nascido nessa classe social e não em outra), mas sim buscar enxergar que efetivamente aquilo que nos define hoje é consequência de nossas escolhas, e são estas escolhas mediadas pelos atos que praticamos, que definem nossa essência, ou nossa "natureza humana". &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Porém, aqui vai um pensamento que está, não exatamente na contramão da filosofia sartriana, mas sim que expõe o mesmo ponto (o homem escolhe a si mesmo) sob uma outra perspectiva.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As escolhas sobre determinadas coisas que fizemos, e que depois as abandonamos, também podem, de alguma forma, terem o papel de definidoras de nossa essência, também como frutos de escolhas livres. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Exercitar esse outro lado da filosofia existencialista pode chegar a se tornar um exercício cômico, desde que feito com sinceridade. Lembra-se daquele projeto de aprender a surfar depois de velho ? Lembra-se das aulas de dança que você frequentou por três vezes e depois nunca mais teve coragem de voltar ? E sobre os montes e montes de páginas ou desenhos guardados dentro da gaveta, como sinal da desistência em ser escritor ou desenhista ? &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Tal como revelar um sonho consistente a alguém, eis-me &lt;em&gt;o que eu poderia ter sido e não fui&lt;/em&gt;, no que se poderá concluir também&lt;em&gt; o que sou: &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* músico (aulas e aulas de violão e guitarra para nada)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* praticante antigo de &lt;em&gt;kung-fu &lt;/em&gt;(não nasci para ser louva-deus, águia, tigre ou bêbado)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* jornalista (ai se eu tivesse me matriculado na PUC...)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* escritor (ainda é tempo de queimar as folhas antes que alguém as encontre após minha morte)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* membro de torcida organizada (eu ansiava usar aquela blusa preta da Gaviões, aos meus 14 ou &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;15 anos de idade)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* homem bonito (tá.... a feiúra é pura contingência. Culpa de Deus)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* membro da fanfarra da escola (ao menos fiquei com o bico da corneta em casa, modo que o professor encontrou de me deixar longe dos ensaios)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* cristão (minha mãe bem que tentou....boníssima alma)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* fluente em latim&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* membro do Partido Comunista do Brasil (cheguei a pegar a ficha de inscrição, mas a devo ter perdido em algum lugar, pois no mesmo dia comprei o &lt;em&gt;Castlevania IV, &lt;/em&gt;do Super Nintendo)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* programador de computador (o que eu fazia nos intervalos das aulas eu não posso contar mas nem morto)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* amigo de padre (mas ele era da Teologia da Libertação, ora !)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* &lt;em&gt;punk &lt;/em&gt;(hein ?)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* ser um Dhalsin da &lt;em&gt;yoga &lt;/em&gt;(não tem jeito, aquilo de inspirar por uma narina e expirar pela outra, não é para quem só tem uma narina disponível)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* ladrãozinho de supermercado&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* ladrãozinho de camisetas brancas no supermercado&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* cozinheiro (bem que tentei. Agora acabaram os ingredientes)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* romântico (eu já li e compreendi Sofrimentos do Jovem Werther, de &lt;em&gt;Goethe&lt;/em&gt;) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* putão (viver o corpo como receptor sensorial unicamente. Às vezes funcionou, viu ?)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* helênico (gosto de dizer que sou. Mas como, se a contingência me deixou para viver hoje e agora ?)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* viciado em haxixe (bendita hora em que arrancaram aquela segunda rodada da minha mão)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* historiador (caso eu não tivesse decidido ir à praia em vez de ficar estudando para a segunda fase da Fuvest do ano 1954)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entenderam essa outra perspectiva da filosofia de Sartre ? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-3278824731729364138?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/3278824731729364138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=3278824731729364138' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/3278824731729364138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/3278824731729364138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/07/definindo-se-em-no-ato.html' title='Definindo-se em &quot;não ato&quot;'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-4794846388613298643</id><published>2008-06-19T15:54:00.000-07:00</published><updated>2008-06-19T16:27:57.030-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='u'/><title type='text'>o velho escritor</title><content type='html'>Alguns episódios irrompem as lembranças de forma tão visceral, que sequer pode-se dizer que são lembranças, mas episódios revividos com a áspera brutalidade do real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Éramos crianças naquela época. Vivíamos em bando e vivíamos em busca. Despertávamos então para as regras próprias de um bando de meninos, que viviam sua dupla vida de liberdade e opressão. Dentro das casas, fracos e quase sempre oprimidos. Fora delas, ganhavam um mundo à parte, um mundo grande e vasto. Com nossos códigos de conduta maniqueístas, nossos moralismos herdados, nossa masculinidade que clamava por parecer exacerbada, com a hierarquia que precisava ser respeitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah ! E também com nossas pequenas espertezas ! Jogados para viver numa rua nem diferente nem igual, em um bairro nem diferente nem igual, de uma periferia a mais da monstruosa São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era com indisfarçável esperteza, mas deveras com disfarçável vergonha, que cotidianamente o bando abordava aquele sujeito já meio gordo, de cabelos de algodão nas laterais, de óculos quadrados e grandes, de roupas abarrotadas, mas clássicas. Boina, calça social e sapatos, ar de inteligente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subia a rua e a ladeira com passos calmos, parecia pensativo, parecia afundado em meditações, ou em versos, ou em contos. Vivia em um mundo que não era o nosso, marcado pela dureza e pela consistência de uma pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era curioso e diferente. Enquanto todos que ali moravam se mostram à memória de hoje, como quase autômatos, com ele não. Ele era diferente. Ele subia a rua também, mas não simplesmente a subia. Ele pensava talvez em uma crônica, em uma história, criava qualquer coisa a partir daquele bando que diariamente encontrava-se à solta no mundo imenso e explorável que era a simples rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era diferente dos demais. Não tinha o aspecto cansado do operário em fim de jornada getulista. Tampouco tinha o vigor dos passos dos mais jovens que ansiavam então por uma prancha de &lt;em&gt;surf,&lt;/em&gt; ainda que vivendo na cidade. Ele tinha um ar diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só tempos depois, é que fiquei sabendo que o velho era escritor. Pensei que talvez fosse esse o motivo de sua aparência singular, de seus passos que pisavam aquele asfalto gasto mas que pareciam pisar em uma outra dimensão, em letras, em frases, em palavras, em sinônimos, em antíteses, em metáforas, em um mundo que não era o nosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os velhos mais brutos dessa época assustavam os meninos com feições e gritos assustadores. Já os jovens batiam nos meninos por imposição, por simples razões hierárquicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o velho, não. Esse subia a rua e, com frequência, distribuia balas aos meninos. Era rodeado por um bando de moleques dos mais diversos tipos, das mais diversas famílias, que apenas tinham em comum a parca idade, a inocência que queriam destruir e o extremo e brutal acaso de estarem crescendo juntos, naquela rua e não em outra qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era autêntica algazarra de meninos. E ainda que não fôssemos nada, e ainda que muitos de nós fôssemos seguir - em trágica e inocente ignorância - o rumo de uma vida que nos conduziria à mesmice ou às grades, éramos chamados de &lt;em&gt;maravilhosos&lt;/em&gt; por uma boca sorridente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes ganhávamos dinheiro, também. Não muito. Eram centavos, em verdade, mas era dinheiro. O velho nos dava algum dinheiro, enquanto subia a mesma rua que dominávamos como animais na selva. Dava dinheiro a nós, e esse dinheiro certamente faltava lá em cima, poucas acasas adiante da minha, pois sua esposa um dia indignou-se com os meninos. Quem eram esses que pediam e recebiam dinheiro do velho escritor ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, seus olhos eram vermelhos e úmidos. Eram como um lenço de uma viúva recente. Seu hálito era puro álcool. Seus passos eram mansos, mas passaram também depois a serem tortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje penso que, se nós, meninos, sentiamo-nos muito espertos por receber balas e algum dinheiro, sutilmente o velho também arrancava algo de nós em troca. Talvez uma jovialidade e ansiedade de viver dos meninos, já naquela época fadada a morrer. Ele sabia disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrancava talvez alguma inspiração para algum conto. Se sim, ele estava certo. Tudo vale por um vômito de palavras a serem embrulhadas num papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A brutalidade real tocou-me quando encontrei seu livro, de poucas páginas e modesto, na estante ao lado de meu quarto. Uma data antiga e escrita à caneta lembrava o ano de 1986, e o &lt;em&gt;"Tango Argentino"&lt;/em&gt; escrito pelo velho escritor, mostrava-se ali, na minha mão, como um item sagrado e mágico capaz de despertar reminiscências abandonadas na história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No livro, há contos que não li.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me do desejo de imortalidade oculto que esconde a sete chaves um escritor. Vinte anos depois, o velho voltou a viver, subiu novamente a ladeira, seu hálito reacendeu-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia mais meninos gritando e implorando por doces ou por trocados e a rua estava vazia, lamentando a ausência de vidas que se perderam na maturidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro na minha mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o velho, naquele instante, imortal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-4794846388613298643?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/4794846388613298643/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=4794846388613298643' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/4794846388613298643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/4794846388613298643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/06/o-velho-escritor.html' title='o velho escritor'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-2533931940457971691</id><published>2008-06-12T05:38:00.000-07:00</published><updated>2008-06-13T12:18:45.296-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Sentiu um ímpeto violento afogar-lhe a garganta enquanto a língua seca e áspera se agitava no interior de sua boca, tal como uma cobra que serpea sua presa marcada para a morte. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Com as mãos agitadas e nervosas, tentava por meio de um pesado balançar, rememorar os versos que só anos depois lhe fariam sentido. Grudados na árida boca, as palavras recusavam-se terminantemente a serem cuspidas: "&lt;em&gt;.... Transtornado, tornado louco pelo desespero. Não o consintas, meu amor, meu bem, digamos até logo agora....&lt;/em&gt;". &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Um sorriso irônico permeado de tristeza. Repetiu a si mesmo: &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;"&lt;em&gt;Não o consintas.....digamos até logo agora...&lt;/em&gt;", ordens inexoráveis para o início de passos duros e punhos cerrados, ao que se seguiram pequenos goles de ar que preenchiam o vazio dos pulmões ávidos por um louco estado arfante. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ele simplesmente não podia mais se conter. Pensamentos incessantes massacravam sua cabeça, deixando rastros de culpa e orgulho:&lt;em&gt;"Eu não era assim tão terrivelmente violento a ponto de desejar que cada corpo desses que passa por mim, seja alvo de pancadas, chutes e socos. Já fui sereno.... cantarolava por estas mesmas ruas. Já sorri sinceramente para todos estes seres desprezíveis que hoje me provocam náuseas...". &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;Com os olhos semi-cerrados e a tensão esculpida no rosto, incontáveis vincos afundavam e percorreriam toda sua face, esparramando-se como córregos fétidos que cortam bairros podres. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Andando pelas ruas, ainda se notava nele resquícios de um sujeito elegante. Ainda que a barra de sua calça folgada raspasse o chão, deixando o tecido carcomido pelos selvagens dentes do asfalto, e mesmo que sua camisa aberta e deformada por uma barriga que, proeminente, lançava-se adiante de seus passos, mulheres e pederastas olhavam-o a todo tempo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Uma caça constante por troca de olhares que pudesse significar um resquício de humanidade naquele soldado selvagem. Soldado que batia violentamente seus pés calçados com sapatos esbranquiçados, no solo banhado de sangue invisível da tresloucada São Paulo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;No entanto, nenhum olhar o detinha. Pederastas sentiam que a violência e os pensamentos sanguinários que exalavam de seu corpo, poderiam ser melhor aproveitados em sessões de sexo marcado por couro e fetiches sombrios. As mulheres não enxergavam nesse corpo, outrora musculoso, e nessa face, outrora pacífica, nada além de um homem cuja alma poderia ser remediada com golpes de amor e de carinho, única forma de livrá-lo das maldições sentimentais, de amores corrompidos e de dores inexpugnadas. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ainda assim. Olhavam. Desejavam. Corrompiam. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ele mesmo nada fazia. Apenas uma volta pelo centro da cidade, em suas tortuosas vias. Uma infinidade de sangue, dor, sofrimento e consternação eram a matéria-prima de seus pensamentos e de seus desejos, insuportavelmente viscerais. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Sorriu de novo. Melancolia. A sequência dos versos rememorados foi despejada em sua cabeça sem qualquer prévio aviso: "&lt;em&gt;...mas a mim nenhum som me importa afora o som do teu nome que eu adoro. E não me lançarei no abismo, e não beberei veneno, e não poderei apertar na têmpora o gatilho...&lt;/em&gt;". &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Respirou fundo. Mais do que pequenos goles, um furacão de ar lhe preencheu os pulmões, com seu pensamento remoendo o plano: não se prolongariam, diriam até logo e diriam isso agora. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Odiariam-se, decerto. Culpariam-se mutuamente por tudo e por nada. Mas não beberia veneno e não estouraria seus miolos. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Desejou desfazer-se de seus pensamentos sanguinários, mas a postura de permanente combate infligia verdadeiro monopólio em seu coração. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Não foi por outra razão que ao avistar aquele esquálido sujeito apoiado em sua motocicleta, de peito aberto e um já insípido chiclete mascado na boca, desejou com ardor enfiar-lhe um soco nas costelas, de modo que este único impacto o faria dobrar-se em joelhos e mendigar clemência. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;em&gt;"Maldito !", &lt;/em&gt;diria com veemência a este sujeito dobrado no chão, mártir de todas as infelicidades que suportara. "&lt;em&gt;Alguém deve pagar ! Pouco me importa quem !&lt;/em&gt;", sua boca balbuciava tais palavras enquanto afastava-se cada vez mais do sujeito e de sua motocicleta, que sorria tranquilamente enquanto observava os estranhos passantes. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Na esquina seguinte, novo tormento. Uma não sei qual sensação de punição se apoderou do rapaz quando uma bela prostituta nele lançou olhares de interesse. Ele tinha notas no bolso, notas essas que lhe conferiam segurança em si mesmo. "&lt;em&gt;Se quiser um trago de algo qualquer, basta-me arrancar apenas uma dessas notas. Não dependo de ninguém.&lt;/em&gt;" Com o sexo, poderia se pensar o mesmo. Se quisesse, um simples raspar de dedos no pequeno bolo de notas que recheava seu bolso, seria capaz de lhe colocar à disposição essa ou qualquer outra bela mulher. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Treparia violentamente. Não diria uma só palavra durante o coito. Contrairia todos seus músculos e ficaria brilhante de suor. Uma estátua de suor. Era como gostava de se imaginar. Apenas poucas notas que precisaria tirar de seu bolso, e pronto, lá estaria ela, nua, sedutora, voz suave, corpo delineado na mais artificial luz de um quarto horrendo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Viria o gozo abrupto e selvagem. Urraria como lobo perdido de sua matilha. Após a estafa, e após o incrível vazio que sempre se apoderava de sua alma segundos após se desfalecer no seio de qualquer uma, estaria pronto para pagar pelo minuto de prazer. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Logo em seguida, o óbvio: teria um desprezo absoluto pela mulher. Frágil e vão. O desprezo pelo outro jamais o impediu de sentir igual desprezo por si mesmo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Mas enquanto a prostituta o observava, decidiu nada fazer. Hoje ele não tiraria nota alguma de seu bolso. Hoje ele amaria poder arrastar essa ou qualquer outra que lhe cruzasse o caminho. Arrastaria pelos cabelos sem dó. Jogaria-a no chão e cuspiria em sua cara. "&lt;em&gt;Você me dá nojo. Eu tenho nojo de amor a preço certo.&lt;/em&gt;", seria a frase ideal para terminar sua cena. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Mas apenas passou por ela e nada disse, mais uma vez. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Sentia uma raiva como há muito não tinha a chance de experimentar. Não havia episódio concreto a provocar tamanha fúria neste singelo dia de sangue não derramado, de agressões não consumadas, de coito violento e bestial não efetivado. Ele apenas via as pessoas nas ruas e elas lhe provocavam o mais profundo desgosto. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Precisou ir embora para não dar vazão a seu eu que clamava por expressão. Precisava controlar-se, ainda que renunciando a si mesmo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;No caminho de volta para sua maldita casa - ela nada era além de depósito de um autêntico lixo humano - pôs-se a completar, aos brados vigorosos e ensandecidos em meio a plena rua, a poesia que há muito havia lhe encantado: &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;em&gt;"...Amanhã esquecerás que eu te pus num pedestal,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;que incendiei de amor uma alma livre,&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;e os dias vãos - rodopiante carnaval -&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;dispersarão as folhas dos meus livros...&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Acaso as folhas secas destes versos&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;far-te-ão parar,&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;respiração opressa ?"&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-2533931940457971691?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/2533931940457971691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=2533931940457971691' title='37 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/2533931940457971691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/2533931940457971691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/06/sentiu-um-mpeto-violento-afogar-lhe.html' title=''/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>37</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-1813155629905590096</id><published>2008-05-24T10:47:00.000-07:00</published><updated>2008-05-24T07:45:45.806-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Encontraram-se e resolveram entrar em um pequeno café da rua estreita. Dentro do café, uma cópia grosseira da escultura de Afrodite, do Louvre, os observava: &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;XX: "...... e então quer dizer que nada mais importa ! " &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XY: "Foda pensar assim, né ? Mas é apenas sinceridade. Nada mais importa." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XX: "E logicamente seus sonhos já não valem um centavo sequer. Seus projetos podem ser realizados agora ou talvez nunca. E você ainda me diz que não muda nada fazer agora ou não fazer." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XY: "Sim. No fundo mesmo, não muda nada." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XX: "Ou seja, você está no &lt;em&gt;foda-se &lt;/em&gt;total !" &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XY: "Não me orgulho em dizer que sim. Mas eu quero que tudo se foda mesmo." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XX: "Ainda se lembra de uma carta que escreveu para si mesmo, quando você tinha 17 anos ? Eu nunca a li, você nunca a mostrou a ninguém, mas não sei porque, um dia me contou com algum orgulho que tinha escrito uma carta para si mesmo." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XY: "Fiz isso de verdade, eu tinha 17 anos e era um estúpido." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XX: "Nunca me disse com clareza o que é que você escreveu para si mesmo..." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XY: "Bem que poderia ter sido uma carta com alguma frase sábia, algum alerta que eu poderia dar para mim mesmo. Isso até me daria algum orgulho, sabia ? Eu teria escrito talvez uma coisa simples, algo assim: "nada do que você pensa hoje vai sobreviver. Tudo vai morrer". Eu realmente acharia muito foda ter me dado um alerta desse há 14 anos atrás." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XX: "Você é esquisito...." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XY: "...." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XX: -"Ainda não me disse o que é que você escreveu nessa carta....." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XY: "Pelo menos eu já te disse o que eu poderia ter escrito, e o que teria me provocado orgulho." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XX: "Como você não escreveu, nada vale." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XY:"Se quer mesmo saber, se isso vai te dar a idéia de que poderá entender melhor minha cabeça de hoje, então eu te conto. Nessa maldita carta que escrevi para mim mesmo, eu usei uma caneta para envergonhar o papel. Eu escrevi alguns princípios que deveria obedecer por toda a minha vida. Lembro que o último deles era que eu não poderia jamais desobedecer meus princípios." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XX ri sarcasticamente. Faz cara de surpresa, mas logo em seguida reassume sua feição inquisidora: &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XX: "Um merdinha de 17 anos que escreveu os princípios para obedecer por toda a vida, e ainda por cima escreveu que não poderia desobedecer nunca....... Você se achava muito inteligente e esperto, não é ?" &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XY: "Me diziam que eu era inteligente e esperto, e eu gostava de acreditar nisso. Falavam ainda que eu era bonito." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XX: "Você ainda é bonito. Mas sua beleza é inofensiva. Mas isso também pouco importa agora." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XY: "É que eu também gostava de acreditar nisso...." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XX: "Não importa mais. O que eu quero entender mesmo é como você escreveu sobre princípios que te comprometeriam por toda a vida, e agora vive me dizendo que quer que tudo se foda." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XY: "Eu já te disse que era um estúpido nessa época, e acho que todo mundo era estúpido como eu também. Diziam que eu era esperto, veja só !" &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XX: "Como você explica a transformação de um jovem estúpido e cheio de belos princípios para o que você é hoje, um cara cujo prazer é se difamar e se rebaixar para qualquer um que esteja disposto a te ouvir ?" &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XY: "Eu também não sei como aconteceu. Sei que teve um certo dia que eu me dei conta que não me importava com mais nada. Eu fazia um monte de coisas, sozinho ou com um monte de gente que eu achava parecida comigo. De repente, eu vi que poderia deixar de fazer todas essas coisas, que poderia deixar de ver todas essas pessoas, e que a minha vida seria rigorosamente a mesma. Nada mudaria !" &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XX: "Isso é mentira. Você está mentindo feio. É impossível que qualquer pessoa deixe de fazer tudo que faz na vida, de um dia para o outro, e ainda por cima ache que a vida vai continuar igualzinha...." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XY: "Eu sei que é difícil acreditar. Nem mesmo eu ainda consigo entender isso. Mas sabe quando você gosta muito de uma comida, e aí você acorda num certo dia, pensa nessa comida, e ela te dá tanto enjôo que você passa a ter certeza que nunca mais vai comê-la ? Foi mais ou menos assim comigo. Eu acordei e tive a certeza que nada mais me importava. Nem ninguém." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Com clara impaciência, XX esperou XY terminar de falar, para de bate pronto responder: &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XX: "Cara, você é muito esquisito. Eu não quero encerrar a nossa conversa, só por isso vou dizer que eu entendo o que você disse. Mas não me peça pra achar que isso é normal, que todo mundo enjoa de uma comida e depois nunca mais a come. Falar de enjoar das coisas que faz e das pessoas ainda.... Mas tudo bem. Eu entendi o que você quis dizer." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XY: "Foi você que perguntou. Eu só disse isso porque me perguntou sobre a carta. Eu também não acho que vale a pena ficar conversando sobre isso. Mas já que comecei, vou deixar você ainda mais fudida: foi só depois desse dia que enjoei de tudo, que resolvi remexer nas minhas coisas até encontrar os meus princípios de moleque." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XX: "Se você tiver o mínimo de seriedade ainda, deve ter se sentido com vergonha da sua carta. Você a leu ? " &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XY: "Li...." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XX: "E como ficou depois de ler ? Chorou ? Sentiu raiva ?" &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XY: "Eu li e a palavra estúpido ficou martelando sem parar na minha cabeça. Mas isso não me deu raiva, nem choro, nem vergonha, nem nada. Eu só li e achei que eu poderia não ter escrito aquela carta, que não mudaria nada." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XX: "Porra ! Lá vem você de novo com essa história de que fazer ou não fazer dá na mesma ! Acho que você tá ficando louco mesmo. Meu, por mais que você odeie isso,você escreveu a porra da carta, se não tivesse escrito a gente nem estaria sentado aqui falando sobre isso. É tudo tão óbvio que me irrita ter que falar isso." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XY: "Todas as coisas óbvias te irritam....sempre te irritaram...." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XX: "E você deve pensar que essas suas generalizações sobre mim, sobre como eu penso, te dão um ar de sabedoria....." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XY: "Sabe que de tudo que eu li na carta, uma coisa me chamou a atenção ? Foi o princípio número sete, era o princípio que falava sobre "eu terei que aprender a ser feliz sozinho". Acredita que ele me chamou mais a atenção do que o terceiro princípio, que dizia que eu deveria sempre estar envolvido em lutas e atividades políticas ? Acho que eu tinha um medo enorme de me emburguesar..." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XX: "Isso é um pouco patético mesmo. Ainda mais quando a gente lembra que seus amigos, ou melhor, seus companheiros das tais lutas políticas, são todos uns bons burgueses. Aliás, você mesmo é assim..." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XY: "Eu sou burguês e isso no fundo ainda me desagrada também. Mas como agora nada mais importa, foda-se minha burguesia também." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;XX: "Você arrumou um belo salvo-conduto para sua vida. Age agora como todo mundo, mesmo os que você desprezava até pouco tempo atrás. O seu foda-se a tudo é só uma forma áspera de se sentir confortável, assim como um bom burguês gosta de estar confortável em sua poltrona na sala de estar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;XY: "Eu só não finjo mais nada. Não tenho mais nenhum papel a interpretar. Meu personagem já morreu, aliás, hoje em dia o que faz sucesso é o &lt;em&gt;reality show&lt;/em&gt;, não é preciso interpretar mais nada."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XX: "Mesmo assim, volto a seus princípios de ser feliz sozinho e estar sempre envolvido com política. Hmmm..... acho que você não era assim tão estúpido, como diz. Pensava em coisas que gente da sua idade nem pensava, tenho certeza. Eu mesmo, não pensava em nada disso. Nessa idade eu só pensava em sexo, em transar, eu via possibilidades de trepar em todos os lugares que ia."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XY: "Sexo não apareceu em nenhum princípio meu. Mas também né, eu tinha que ser feliz sozinho, não faria muito sentido..."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XX: "Nada faz sentido nisso tudo, parece. Nem sua cabeça à época, nem a de agora. Nem o princípio número três, nem o número sete, nem nenhum outro que eu nem conheço, mas já posso imaginar como são... Você me amava há até um tempo atrás, pelo menos me dizia isso. Já aqui desobedeceu ao último princípio e ao sétimo, pois você deveria ser sozinho e não foi. "&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XY: "Mas agora eu sou. Mas não tem nada a ver com esses princípios..."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XX:"E mentiu de novo para si mesmo, pois largou tudo ligado à política que você fazia. Até as pessoas que você gostava desse meio, você abandonou. E olha que tinha uma lá que era louca para ficar com você...isso me irritava !"&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XY: "Eu menti em tudo. Ou em quase tudo. Acho que só não menti quando disse que eu te amava. Eu achava mesmo que poderia ser feliz com você."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XX: "Não tivesse sido tão canalha comigo, acho que você poderia mesmo... Uma trepadinha só, né ? Não teria mal algum..... Mas quando me contou, não perdi a oportunidade de acabar com você. Hoje vejo que você me foi muito conveniente."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XY: "Devo ter feito isso para enfim poder ficar sozinho."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XX: "Não me importa mais porque fez. O que eu sei é que toda essa história sua de sumir do mapa, de não falar com mais ninguém, de não fazer mais nada, essa coisa de carta de princípios, de ser feliz sozinho agora também...meu Deus.... Não te dou um ou dois meses para se humilhar. Vai mendigar companhia de qualquer pessoa, mesmo que seja da pior pessoa do mundo."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XY: "Eu quero ser feliz sozinho. Só isso."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XX: "Sempre achei que você se atribui mais importância do que realmente tem. Agora tenho a impressão muito forte que você se enxerga como Deus. Não precisa de nada e de ninguém."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XY: "Acho que tenho é inveja de Deus. Ele é que é feliz."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XX: "Não tem idéia de como é ridículo te ouvir falar essa frase...."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XY: "Mas é o que eu acho. Sabe que Deus é fundamento de si mesmo ? Ele se basta. Ele se cria e cria tudo. Só que tudo tem fundamento nele mesmo, que é Deus, mas ele mesmo não tem fundamento em nada que é de fora, só nele. "&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XX: "Então se Deus quer ser feliz ele pode, afinal a felicidade ele pode criar também. Tá dentro dele."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XY: "E não precisa de mais nada para isso, só dele mesmo."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XX: "E pelo jeito, esse agora é o seu projeto, ser feliz como Deus. Com a pequena diferença que você não pode criar nada, aliás, mal consegue pagar seu aluguel...."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XY: "Você acha absurdo, eu sei. Mas não quero fazer como Deus faz, só quero ser feliz sem precisar de você, de qualquer outra pessoa, coisa ou acontecimento. Só quero depender de mim mesmo, isso não parece tão absurdo."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XX: "Não tão absurdo quanto eu estar aqui te ouvindo, isso você tem razão."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XY: "No fim das contas, eu te concedo o benefício da dúvida. Eu sei que você deve estar rindo por dentro agora. Falo quero ser Deus, que vou ser feliz só comigo mesmo, que nada mais me importa. Tenho certeza que você deve estar pensando agora que sou um idiota, pois sou contraditório, desejo que tudo se foda e ao mesmo tempo excluo do tudo a minha felicidade. Pois digo que quero ser feliz ainda, mas sozinho."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XX:"Você só me parece um garotinho em crise. Nada mais. Mas é difícil te ver como um garotinho ao mesmo tempo que vejo seus crescentes cabelos brancos, ao mesmo tempo em que vejo seus dentes amarelados por tanto cigarro que já fumou."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XY: "Você tenta fazer eu me sentir ridículo. Mesmo seus olhos tentando me congelar agora, me petrificar em um simples boneco de um garotinho triste. Mas tenho certeza que vou conseguir o que quero. Não é muito na verdade, só quero que tudo que eu precise esteja dentro de mim."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XX: "Cansei da sua conversa. Cansei de tudo que me falou. Você agora tem uma falsa inteligência, tem um discurso bonito para justificar nada mais do que um grande egoísmo."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XY: "É possível. Mesmo assim vou tentar. Mas sabe....eu continuo gostando de você.... Eu não queria que a gent...&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;Com extrema virulência, XX interrompe:&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XX: "Vai se fuder ! Cale essa boca !"&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;XY: "..."&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;Nesse momento a cópia da estátua de Afrodite se enfeiou ainda mais. Seu gesso poroso se esfarelava, provocando pequenos montes de pó branco à sua frente.&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;Levantaram-se, deixando o café para trás. Sem qualquer gesto que indicasse rancor ou tristeza, seguiram em direções diferentes. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;Meses depois, XX avistou XY passeando de mãos dadas com uma mulher mais velha do que ele, cara de inteligente. Compravam um saco de pipoca, enquanto riam ao contar as moedas.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-1813155629905590096?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/1813155629905590096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=1813155629905590096' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/1813155629905590096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/1813155629905590096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/05/encontraram-se-e-resolveram-entrar-em.html' title=''/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-3722252394005227825</id><published>2008-05-22T11:59:00.000-07:00</published><updated>2008-12-08T13:05:51.606-08:00</updated><title type='text'>sofrimento sereno</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_uJQXobHMEjY/SDXDx6gY-MI/AAAAAAAAAA4/zTFuTj9w9tY/s1600-h/IMG_4940.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5203280206782593218" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_uJQXobHMEjY/SDXDx6gY-MI/AAAAAAAAAA4/zTFuTj9w9tY/s320/IMG_4940.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_uJQXobHMEjY/SDWzt6gY-LI/AAAAAAAAAAw/MgNJTI86cvk/s1600-h/IMG_4940.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Laocoonte, no Museu do Vaticano, Roma. Fotógrafo: eu mesmo ! que felicidade.... &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A história de &lt;em&gt;Laocoonte&lt;/em&gt; é a história do homem que sofre. Sacerdote do deus Apolo, &lt;em&gt;Laocoonte&lt;/em&gt; foi morto, em conjunto com seus dois filhos, pela serpente enviada pelo deus Poseidon, em episódio narrado na &lt;em&gt;Ilíada&lt;/em&gt;, de &lt;em&gt;Homero&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Obra de importância fundamental na arte grega, foi por meio dela que &lt;em&gt;J.J. Winckelmann&lt;/em&gt;, na clássica obra "&lt;em&gt;Reflexões sobre Arte Antiga&lt;/em&gt;", definiu o ápice do processo de perfeição e beleza desenvolvido pelos gregos nas belas artes, seja sob o ponto de vista da perfeição e harmonia de suas formas, seja pelo que carrega em seu simbolismo mítico.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;De fato, na cultura grega clássica, a representação artística dos deuses desempenhou importante elemento de expressão do meio social do qual surgiram. Diferentemente do deus da tradição judaico-cristã, bem como dos mortais que foram erigidos posteriormente à condição de santos, a grande lista de deuses e semi-deuses gregos se notabilizava pela intensa reprodução dos mais puros sentimentos humanos, intensificado pelos poderes e pelas glórias emanadas do Olimpo.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim é que a líada, de Homero, antes mesmo de ser uma narrativa épica sobre a Guerra de Tróia, travada entre aqueus e troianos, pode ser definida também como a história de uma guerra movida pelas mais simples e cotidianas paixões humanas: o amor, o desejo de vingança, a busca pela glória e pela honra, as preferências e conspirações entre deuses para favorecer um ou outro homem ou lado do conflito, a impotência e a fraqueza humanas.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nenhum dos deuses gregos estava imune a tais sentimentos tão tragicamente humanos, mas ao contrário, deixavam muitas vezes dominarem-se pelas paixões, para em seguida agirem, com todo seu poder e prestígio, na intensificação ou na resolução da guerra.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;É na simples humanidade dos sentimentos demonstrados pelos deuses olímpicos que residia sua legitimidade e força entre os gregos, lógica essa que se encontra presente - ainda que de forma bastante diferenciada e já distante de uma humanização- em grande parte das mitologias atuais, inclusive a cristã católica.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;No entanto, embora haja a presença desse traço humano no perfil psicológico dos deuses gregos, é igualmente certo que a condição divina outorga uma diferença vital na exteriorização das emoções e das paixões.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa diferença vital se manifesta na contraposição que pode haver entre um sofrimento suportado por um homem comum, e aquele que é representado pelos gregos, sobretudo em relação aos deuses.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há, por exemplo, formas e formas de se expressar um sofrimento, em uma matiz que pode oscilar entre a histeria e a soberania. O sentimento da dor pode provocar como forma de alívio, um grito agudo ou um gemido grave, saído de lábios retorcidos pela dor ou que ainda conseguem - mesmo em estado de dor - preservar uma superioridade em relação a ela.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para &lt;em&gt;Winckelmann&lt;/em&gt;, a escultura de &lt;em&gt;Laocoonte &lt;/em&gt;- mesmo não se tratando da representação de um deus - apresenta com perfeição tais características, das quais destaco em especial a questão chamada de &lt;em&gt;sofrimento sereno&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;É possível sofrer com serenidade ? A dor pode ser compatibilizada com uma atitude psicológica que nos afaste de uma posição de submissão em relação a ela ?&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Obviamente a obra de &lt;em&gt;Winckelmann&lt;/em&gt; não se propõe a responder a tais questões, mas coloca em tamanha evidência a soberania e a serenidade com que &lt;em&gt;Laocoonte&lt;/em&gt; sofre em seu momento de morte, agravado pela morte iminente de seus dois filhos que o acompanham, que a indagação - embora extrapole a análise estética - se coloca como uma questão atual e cotidiana para nossas próprias vidas.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Laocoonte &lt;/em&gt;é homem e sofre. É picado por uma serpente que, fatalmente, irá também matar seus dois filhos. &lt;em&gt;Laocoonte &lt;/em&gt;sofre com soberania e serenidade, na medida em que se coloca em posição superior à sua dor, e sua expressão facial indica claramente isso: há dor, mas há dor sofrida com serenidade.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sua expressão indica a morte iminente, mas não há traço de histeria na manifestação do sofrimento. Seus lábios mostram que a dor lhe provoca gemidos. Não provoca gritos ou histeria. Com algum exercício de imaginação e entrega à apreciação da escultura, pode-se "ouvir" um gemido grave, prolongado e algo duradouro.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seu corpo contraído indica a luta contra a morte provocada pela serpente. Não há um corpo desfalecido e entregue, mas sim um corpo no auge de sua forma, com os músculos claramente demonstrando a própria soberania do corpo em relação à dor. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;O momento apresentado na escultura é o ápice da dor. Não o antes e não o depois. Mas sim o cume do sofrimento que coincide com a picada da serpente em sua cintura.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;A partir desta exata cena, podemos visualizar o que se passou antes, com o ataque da serpente, e podemos visualizar também o que vem depois: a morte de &lt;em&gt;Laocoonte&lt;/em&gt; e seus dois filhos.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para &lt;em&gt;Winckelmann&lt;/em&gt;, em defesa apaixonada da arte grega, em especial da escultura, este foi o ponto máximo e mais belo atingido pelos homens nas artes. &lt;em&gt;Laocoonte&lt;/em&gt; é a própria representação do limite a que pode chegar a arte humana, sendo que toda a arte produzida após os gregos, não passa de arte decadente, na medida em que progressivamente se afastou do ideal helênico.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tomada de posição radical, sem dúvida, mas que &lt;em&gt;Winckelmann&lt;/em&gt; defende com tamanha ardor e paixão, que é muito tentador se render à sua conclusão óbvia: a arte só voltará a significar algum valor estético ao homem, quando este reconhecer que nada mais lhe resta a não ser efetuar o exercício da &lt;em&gt;mimesis&lt;/em&gt;, ou seja, desenvolver as artes a partir do conceito grego, imitando-a, sob pena de observarmos apenas sua a progressiva decadência. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Nesse ponto, retomo a indagação acima. É possível sofrer com serenidade ? A dor pode ser compatibilizada com uma atitude psicológica que nos afaste de uma posição de submissão em relação a ela ? &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Não é preciso concordar, evidentemente, com a polêmica e apaixonada defesa da arte grega clássica de &lt;em&gt;Winckelmann&lt;/em&gt;, tampouco enxergar a arte posterior como pura decadência. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;A questão que se coloca, no fundo, é se podemos a partir dessa análise estética de &lt;em&gt;Laocoonte&lt;/em&gt;, estender arbitrariamente, de alguma forma, a sua análise, para cogitarmos acerca da possibilidade e da aplicabilidade, em nossa própria vida, do conceito de sofrimento soberano. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Que a dor e o sofrimento são inevitáveis, isso faz parte de um conhecimento evidente de quem vive. Mas podemos sofrer estando acima da dor ? Podemos submetê-la a nós mesmos ? &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;em&gt;Laocoonte &lt;/em&gt;segue sendo um enigma particular para mim, ao mesmo tempo que um ideal, uma inspiração para além do campo estético, daquilo que eu mesmo gostaria de alcançar, no que se refere à simbologia da relação entre dor e sofrimento, fenômenos inevitavelmente humanos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-3722252394005227825?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/3722252394005227825/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=3722252394005227825' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/3722252394005227825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/3722252394005227825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/05/sofrimento-sereno_22.html' title='sofrimento sereno'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_uJQXobHMEjY/SDXDx6gY-MI/AAAAAAAAAA4/zTFuTj9w9tY/s72-c/IMG_4940.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-109418135191092176</id><published>2008-05-18T14:32:00.000-07:00</published><updated>2008-05-18T16:35:38.588-07:00</updated><title type='text'>Aikido</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Yudanshakai &lt;/em&gt;é o treino que reúne praticantes de uma determinada arte marcial com um nível mínimo de graduação, tempo de treinamento e experiência. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Nos &lt;em&gt;yudanshakais &lt;/em&gt;de Aikido&lt;em&gt;, &lt;/em&gt;realizados mensalmente na &lt;a href="http://aikidokawai.com.br/"&gt;Academia Central de Kawai Shihan,&lt;/a&gt; há normalmente um grande número de pessoas dos mais variados tipos: mulheres e homens grandes, pequenos, fortes, altos, baixos, provenientes de outros estados brasileiros e às vezes de outros países. Idades iguais ou desiguais, superiores e inferiores. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pessoas que já treinam Aikido há trinta ou mais anos, pessoas que treinam pelo mesmo número de anos que tenho de vida, pessoas que começaram no Aikido na idade em que a maioria já desistiu de quaisquer planos e também pessoas com muito menos anos de idade, mas com uma experiência e um conhecimento muito acima. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Jovens fortes que vêem no Aikido seus corpos se desenvolverem e seus músculos se alongarem e crescerem, contrapondo-se aos senhores que vêem seus corpos não se definharem com o passar dos anos, que perdem progressivamente a força física enquanto ganham em desenvolvimento de princípios basilares do Aikido: o relaxamento do corpo, a força da respiração, a não oposição de força e a harmonia a uma energia que pode vir em qualquer sentido. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A participação regular nos &lt;em&gt;yudanshakais &lt;/em&gt;tem oferecido a oportunidade única de me defrontar com uma série de fatos, pessoas, sentimentos, reações e projetos. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O &lt;em&gt;dogui&lt;/em&gt; de tecido espesso, a faixa que envolve a cintura e o &lt;em&gt;hakama&lt;/em&gt; que confere uma certa sobriedade ao praticante de Aikido: todos eles eu ostentava hoje pela manhã, enquanto o suor escorria pelo rosto, sentindo a leve brisa quente provocada pelo corpo arremessado para múltiplas direções. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No entanto, nenhum deles pôde evitar que me sentisse, por mais uma vez, desnudado em meu ser, escancarando as fragilidades, as inseguranças e os medos que as roupas são incapazes de esconder. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As técnicas demonstradas uma a uma, cada qual envolvendo um certo nível de aparência de facilidade na sua execução, conquanto as aparências rapidamente se dissipassem na primeira tentativa de realização da mesma, na medida em que sentia os braços se apequenarem, a mente se estreitando, o peso do corpo e a máscara da facilidade se esvaindo, revelando a complexidade contida em cada movimento e em cada fração em que este pode ser reduzido. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A respiração mais curta indica, os braços tensos indicam, o olhar fugidio que não se confronta com os do parceiro igualmente indicam: não há nudez psicológica em estado mais bruto do que aquela que sinto nestas situações. Uma fragilidade tão gritante que seria de extrema insensatez não aproveitá-la para meu próprio desenvolvimento, para meu próprio benefício. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não foi à toa que Morihei Ueshiba, fundador do Aikido, enxergou este como uma forma de "&lt;em&gt;vencer a si mesmo&lt;/em&gt;", pois para além do domínio e da perfeição das técnicas marciais, o Aikido propicia uma chance inigualável de conhecer e tentar superar as próprias inseguranças, os medos mais secretos e, sobretudo, de nos defrontar com o "eu desnudado", que nem mesmo as mais espessas roupas podem camuflar. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma certa dose de auto-crítica, humildade e capacidade de observar aos outros e a si mesmo, pode nos revelar muito dessa infindável tarefa que á lapidar a si mesmo. No entanto, a percepção e a clareza das imperfeições a serem trabalhadas, é facilitada em muito quando nos encontramos rodeado de pessoas que, de bom grado e sem que possam ganhar qualquer coisa além da gratidão, nos alertam e nos propiciam a oportunidade de tentar ser alguém melhor. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao Aikido, a gratidão por me colocar diante de mim mesmo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aos amigos, a gratidão e a felicidade de nos encontrarmos juntos, cada qual em sua luta. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-109418135191092176?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/109418135191092176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=109418135191092176' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/109418135191092176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/109418135191092176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/05/aikido.html' title='Aikido'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-1364504285217304303</id><published>2008-04-29T19:45:00.000-07:00</published><updated>2008-12-08T13:05:51.775-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_uJQXobHMEjY/SBek2BY_nnI/AAAAAAAAAAo/eu_whO1_XBA/s1600-h/alvares.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194801943188315762" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_uJQXobHMEjY/SBek2BY_nnI/AAAAAAAAAAo/eu_whO1_XBA/s200/alvares.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Chego de camisa amarrotada.&lt;br /&gt;Nó frouxo na gravata torta.&lt;br /&gt;Luz branca insuportavelmente alva.&lt;br /&gt;Papéis, petições, intimações, revisões.&lt;br /&gt;Palavras desconexas.&lt;br /&gt;Abro o pequeno livro de Álvares de Azevedo,&lt;br /&gt;fiel escudeiro do dia após dia.&lt;br /&gt;Sinto o golpe da casualidade oculta em suas amarelas páginas,&lt;br /&gt;que assim me falam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Soneto &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Perdoa-me, visão dos meus amores,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se a ti erguí meus olhos suspirando !...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se eu pensava num beijo desmaiando&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Gozar contigo uma estação de flores !&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De minhas faces os mortais palores,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Minha febre noturna delirando,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Meus ais, meus tristes ais vão revelando&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que peno e morro de amorosas dores...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Morro, morro por ti ! na minha aurora&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A dor do coração, a dor mais forte,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A dor de um desengano me devora...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sem que última esperança me conforte,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu - que outrora vivia ! - eu sinto agora&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Morte no coração, nos olhos morte !&lt;/em&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com raiva nas mãos,&lt;br /&gt;fechei o livro escrito pelo &lt;em&gt;moleque&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Não se desnuda impunemente um homem.&lt;br /&gt;Gravata arrancada.&lt;br /&gt;Porta batida.&lt;br /&gt;Fim do dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-1364504285217304303?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/1364504285217304303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=1364504285217304303' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/1364504285217304303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/1364504285217304303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/04/cheguei-aqui.html' title=''/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_uJQXobHMEjY/SBek2BY_nnI/AAAAAAAAAAo/eu_whO1_XBA/s72-c/alvares.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-6010477081530400675</id><published>2008-04-26T13:00:00.000-07:00</published><updated>2008-04-26T17:39:53.399-07:00</updated><title type='text'>golden lights</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era domingo e era noite. Junção que deveria ser proibida diante de sua capacidade de provocar tantos males e tristezas. De derrubar com crueldade, ainda mais, tantos heróis já derrotados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sentia-me pesado como há muito não sentia. A camiseta apertava o peito, os braços e a barriga, e todos eles em conjunto pareciam arquitetar uma forma de extrapolar os finos limites do tecido barato e já esgarçado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Minhas pernas concorriam com as de um elefante: estranhamente inchadas e densas, a ponto de serem incapazes de levantar os pés oprimidos pelo tênis de sola velha e lisa, sinal de muitas andanças sem sentido pelas tortuosas ruas que levaram sempre a lugar nenhum.&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A aumentar ainda mais a impossibilidade dos passos de elefante, na mão direita carregava uma sacola de plástico, pesada, que pendia para baixo com o peso - literal e metafórico - do livro "Ética" , de Spinoza, recém-adquirido em uma livraria das redondezas. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na mente - essa substância pensante constantemente doentia - apenas dois objetivos me conferiam algum sentido para justificar ocupar tanto espaço no continente de insignificâncias do mundo: o primeiro e mais imediato era voltar o quanto antes para casa e o segundo, bem, este era uma profusão incompreensível de coisas e sentidos que se chocavam e se batiam, mas que indicavam de alguma forma um fim possível, uma saída para as amarguras e incertezas além da obviedade da bebida e das lágrimas. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Andava....caminhava....percorria..... diferentes expressões de um mesmo ato que subitamente adquirira o peso de uma montanha. A ladeira era nada convidativa e o corpo, manifestando sua vontade de ser autômato, mostrava à mente quem era que mandava de fato: passos obtusos e pesados. Esforço homérico para uma missão sem prêmio. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Diante da recusa do corpo que era nesse ato apenas pernas, mergulhei na mente, ou melhor, libertei-a para ser quem realmente era: uma tirana. E entreguei-me voluntária e dócilmente a ela, soberana rainha de tantos ímpetos incontroláveis. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E era esta rainha quem me ditava e obrigava a perseguir o segundo sentido: mas qual seria o sentido do pensamento na mistura louca de ética, geometria, felicidade, Deus, liberdade, contingência, extensão e pensamento ? &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma interminável associação de outras idéias e conceitos se ligavam a cada um destes termos, e entender como Spinoza havia conciliado tantas coisas diferentes e conferido-lhes um sentido, que me deixara abalado desde a noite da quinta feira, era tarefa primordial. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Da profusão de conceitos embaralhados na mente, um ainda se destacava mais que outros: Spinoza e seu espírito geométrico procuravam, na "Ética", inteligir a conduta humana. Entre os passos gordos e sebosos que dava pela rua, achava engraçado e sorria ao pensar que um geômetra não se lastima nem se amargura por um triângulo não ter quatro lados. Ele apenas compreende tal fato. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seria possível também para nós não nos lastimarmos e nem nos amargurarmos, mas simplesmente, compreendermos as condutas humanas, assim como um geômetra ? &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tais dúvidas e reflexões - que mesmo sem um espelho me davam a certeza de ostentar um ar boçal de intelectual - não me faziam esquecer do primeiro objetivo: os passos deveriam me levar para casa, ainda que as ruas estivessem sujas e cheias de gente, e ainda que os barulhos viessem de todos os lados como tiros trocados em uma guerra total. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enfim conseguira vencer a ladeira e uma doce descida se iniciara para o deleite de meus passos. Restavam então talvez mais uns cem ou cento e vinte passos gordos até o carro e logo estaria superada a banal missão. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No entanto, ao alcançar o septuagésimo quinto passo - perdido em pensamentos - deitei meus olhos sobre uma luminosidade incrível, um sol artificial que iluminava as trevas do domingo noturno. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cintilavam belamente as letras extravagantes, que em pleno ato de conspiração, formavam a expressão "Sara Nossa Terra", dourado e ofuscante, chamativo como um carro alegórico lindo mas quebrado. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"&lt;em&gt;Ora, é uma igreja !&lt;/em&gt;", meditei. Meus passos gordos não impediram a mistura. Subitamente vi-me envolto à massa de pessoas. A luz dourada que iluminava candidamente as cabeças daquele sem número de pessoas, conferia-lhes um certo ar angelical, quase que formando uma auréola ao redor de cada uma delas. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gente bonita e sorridente. Barbas bem-feitas e vestidos de gala. Tinham acabado de adorar a algo e eu acabava de adorá-los. Não era um afresco mas bem poderia ser. Uma cena que seria pintada com o máximo realismo, exaltando a perfeição submissa, a beleza que só se manifesta quando compreendida nos limites do deus regente. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Encantei-me. Surpreendeu-me em absoluto aquela luz, as cabeças iluminadas, os sorrisos largos e as roupas bem cortadas. Diminui a já parca velocidade para melhor apreciar tão magnífico espetáculo humano.Era tudo tão singelamente harmônico. Não concebia tamanha tranquilidade de espírito. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eles então haviam adorado ao deus. Expurgado a todos os demônios. Cantaram e choraram ao seu ente predileto. Pediram a ele tudo que este mundo pode dar. Recuperaram-se de falências. Voltaram a ter carros importados. Sentiram a catarse. Arrependeram-se de todos os erros. E agora, de forma flagrante, com nítido intuito de perfurar meus olhos, deleitavam-se com o espírito leve e vazio, gozando do torpor de quem se afoga na bebida para esquecer de si.&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sem alguma tristeza, senti ainda mais pesado o livro que carregava nas mãos. Não estaria eu em busca deste mesmo torpor ? Senti a leve vergonha despejar em meu rosto uma fina camada de tinta vermelha. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu era igual na busca mas divorciado no caminho. Minha felicidade.... esta eu sentia com pesar, um fardo de toneladas que apenas eu poderia carregar. Não a entregaria a nenhuma transcendência, embora sentisse que esta, ainda que criada, aliviaria-me de tanta responsabilidade. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segurei ainda mais forte a sacola com a minha "Ética". Meus dedos apertavam as alças e estas insistiam em escorregar. Eram como areia nas minhas mãos. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não havia garantia alguma para mim. Certeza alguma me conferia que um dia ostentaria um sorriso tão largo, vestiria uma roupa tão bela e que teria sobre minha cabeça uma luz, ainda que artificial. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Decerto minha ruína e minha falência eram irrecorríveis. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quis evaporar-me rapidamente. A bela cena transformou-se em horror, e os sorrisos, as roupas e as luzes se borraram. Era agora uma distorção incompreensível. Apertei ainda mais a sacola e senti o livro mais pesado do que outrora. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apressei os passos. A sacola decolava de minhas mãos......para frente....para trás....... nervosamente riscavam um arco no ar, bailando com o ritmo acelerado das minhas pernas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas a sacola bailou demais, riscou demais. Perdeu-se. Chocou-se com um cone de plástico postado em meio a massa dos crédulos. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não senti o choque, talvez tenha ouvido quando o cone se espatifou no chão. Mas o turbilhão dentro de mim impediu-me de qualquer reação, estava em outro mundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com o cone no chão, esparramado, tendo sido derrubado pela sacola pesada que carregava a "Ética", ouvi claramente a minha sentença, dita por uma bela boca sorrindo, com um bom terno bem cortado, com um espírito vazio e leve, expurgado de todo o mal:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- "&lt;em&gt;Eu não acredito nessas pessoas de São Paulo. O filho da puta nem olhou pra trás !&lt;/em&gt;". &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No que foi complementado por uma outra alma bem-aventurada:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- "&lt;em&gt;É foda né. Gente de cidade grande....&lt;/em&gt;" &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-6010477081530400675?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/6010477081530400675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=6010477081530400675' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/6010477081530400675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/6010477081530400675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/04/golden-lights.html' title='golden lights'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-2832569197104726488</id><published>2008-04-18T12:00:00.000-07:00</published><updated>2008-04-18T09:22:34.110-07:00</updated><title type='text'>tempo de voltar</title><content type='html'>à noite.&lt;br /&gt;Sono e Spinoza. Ambos na cabeça&lt;br /&gt;Quem será capaz um dia de alcançar a felicidade por si só ?&lt;br /&gt;Quem será um dia forte para se libertar das correntes da superstição ?&lt;br /&gt;Conversas noturnas no escuro da noite.&lt;br /&gt;Poucas cervejas&lt;br /&gt;Muita fumaça. Música ignorada.&lt;br /&gt;A Universidade.&lt;br /&gt;Há um monstro sempre por perto. Quase toda noite&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Habita aquele prédio estranho cor sangue no qual se estuda a sucessão dos acontecimentos e das tragédias na linha do tempo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há diversidade e ela me agrada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sorrio.&lt;br /&gt;Relógio e já se passam duas horas desde o início do novo dia&lt;br /&gt;Corpo exaurido. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mente que não cessa&lt;br /&gt;Havia ainda a Rua do Matão. Escura&lt;br /&gt;Dotada de densas árvores que amedrontam o escuro com seus braços retorcidos&lt;br /&gt;Pequenas flores amarelas desfalecem no chão e&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Conspiram para indicar um caminho&lt;br /&gt;Percorro-o.&lt;br /&gt;Sob o gélido ar da noite que não assusta me lanço&lt;br /&gt;Corro.&lt;br /&gt;Pés que apenas fugazmente tocam o chão de flores&lt;br /&gt;Eles querem flutuar&lt;br /&gt;Corro.&lt;br /&gt;Suor na fronte. Sal na boca&lt;br /&gt;Arranco a camiseta como quem arranca um tumor.&lt;br /&gt;Desejo meu torso nú&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e minhas mãos o tocam&lt;br /&gt;É sólido.&lt;br /&gt;Está gélido&lt;br /&gt;Esgoto-me&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sem ar.&lt;br /&gt;Com ardor na face&lt;br /&gt;Sorrio.&lt;br /&gt;Era tempo de voltar para casa&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-2832569197104726488?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/2832569197104726488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=2832569197104726488' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/2832569197104726488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/2832569197104726488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/04/noite.html' title='tempo de voltar'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-9170306697523834960</id><published>2008-04-16T08:02:00.000-07:00</published><updated>2008-04-16T18:55:38.171-07:00</updated><title type='text'>o funeral</title><content type='html'>"&lt;em&gt;Morreu triste&lt;/em&gt;". Era o que diziam os poucos que compareceram à homenagem última. As ínfimas rodas dos últimos que lhe restaram na vida, lamentavam o estado de espírito do morto no momento do crepúsculo definitivo. A curvatura de seus lábios secos e sem cor parecia mesmo confirmar a triste constatação, enquanto velas e flores tingiam com pesar o momento da despedida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Eu só tenho um objetivo na vida: tornar-me imutável&lt;/em&gt;", costumava dizer a si mesmo o morto, em seus frequentes momentos de solidão. Almejava ser apenas como um bloco. Um bloco maciço, denso, preenchido em si mesmo. "&lt;em&gt;Não haverá qualquer espaço a ser completado&lt;/em&gt;", pensava ao fumar o cigarro noturno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já há muito o morto traçara esse como seu grande e total objetivo de vida. Alcançar um estado em que nada nem ninguém poderia mudá-lo. Ele seria uma coisa sólida, um bloco, como gostava de pensar. "&lt;em&gt;De um bloco não se duvida nunca&lt;/em&gt;", afirmava, enquanto justificava seu pensamento imaginando a consistência inquebrável de um grande cubo pesado, no qual tudo que está dentro está trancafiado e sem saída, enquanto tudo que está fora não poderá jamais entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia eleito este plano ao acaso. Sabia ele de onde vinha sua obsessão em ser tido como imutável e definitivo. Ria por dentro ao imaginar que no dia de sua vitória, todos tentariam de toda forma modificá-lo, tentariam fazer dele qualquer outra coisa que não ele mesmo. E então desistiriam diante de sua solidez. "&lt;em&gt;Fiz apenas isso e o que fiz está aqui dentro. O que não fiz, está fora de mim&lt;/em&gt;". Deleitava-se em sua convicção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantos e tantos planos não concretizados. Amores não vividos por covardia. Frases e sentimentos que não expressou. Tudo fora ! Mas o que viveu e o que fez ninguém lhe arrancaria e nem modificaria. Seria sempre dele e esta seria a massa que preencheria o bloco que sonhava vir a ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Quando morrer, todos verão quem eu sou de fato&lt;/em&gt;". Seu pensamento sobre o dia de sua glória, o dia de sua morte, havia um dia se originado de seu cansaço. Ele há muito havia cansado das traições que sofrera. Não por poucas vezes foi estilhaçado pela evidência de que não conhecia realmente ninguém, nem mesmo quem um dia julgara conhecer. Ignorava ainda que seu desejo de ser bloco crescia na medida em que matava a confiança que despejava como &lt;em&gt;merda&lt;/em&gt; nos traidores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um tolo. A cada vez em que confiou, a cada vez em que esperou algo, foi derrubado pela nefasta ordem das coisas: tudo mudava. Todos mudavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando imaginara ter descoberto um ponto fixo no qual poderia se apoiar, no qual poderia confiar, então no instante seguinte o ponto desaparecia. Não poucas vezes desejara congelar as pessoas para que elas não mudassem, para que permanecessem as mesmas, tal como sua velha estante repleta de livros empoeirados permanecia a mesma há anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que surgiu com vigor seu desejo e seu sonho de ser bloco. E seu desejo não exigia qualquer outra coisa senão o evento supremo: sua morte. Não lhe provocava espanto que o sonho de sua vida seria apenas alcançado na sua morte. Isso não passava de mero paradoxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria na rigidez cadavérica que alcançaria sua felicidade, o sumo de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que acompanharam o dia da glória ignoravam a festa. Ignoravam vergonhosamente que aquele caixão sustentado por cavaletes, no qual repousava o corpo sólido, no qual se deitava o bloco, era um monumento e expressão da felicidade do morto. Dali em diante ele seria apenas um imutável e definitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não encontraram justificativa assim as poucas lágrimas derrubadas. Nem mesmo as velas e as flores, dado que não havia motivo para tristeza. Com sua morte, ele seria sempre o mesmo e todo e qualquer um, até mesmo os traidores, poderiam vê-lo sempre assim, não importando em que ponto da eternidade se encontrassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornou-se, enfim, um bloco sem vazios e imutável. Perene. Como desejara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encerradas as cerimônias, sobre o caixão se depositaram pás e mais pás de terra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-9170306697523834960?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/9170306697523834960/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=9170306697523834960' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/9170306697523834960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/9170306697523834960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/04/o-funeral.html' title='o funeral'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-4976469932164565610</id><published>2008-04-12T15:21:00.000-07:00</published><updated>2008-04-12T15:35:40.033-07:00</updated><title type='text'>domingo de feira no bairro</title><content type='html'>O rapaz não muito resistiu, pois quando sua tão acalantada - por ele mesmo, ora - virtude se expõe a terceiros, ruboriza-se, curva-se em sua impotência, no exato mesmo momento em que um bilhete com ordem superior lhe ordenava imperiosamente: os tomates ! Os tomates verdes para salada !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ambiente prosaico da feira revelava uma incômoda igualdade entre os transeuntes, mergulhados no redemoinho rodopiante que vai volta, sobe desce, envolvendo a todos como o rastejar de mil serpentes que se roçam e se tocam e se deslizam. Essa era a multidão deslizante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No murmurinho de pano de fundo, perdidos entre quilos e números e moedas, e multiplicações das lições esquecidas da escola e seus famigerados “problemas”, pessoas passam ouvindo rimas, combinações, gritos, livres –não tão livres– associações entre as pêras e o decote daquela senhorita que passa rebolante meditando sobre os limões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bonita paga, leva as frutas consigo e ganha um sorriso. Se for esbelta em exagero então leva também uma rima, prometendo os mil e um prazeres do casamento que não vai ser realizado, porque as frutas são de todos e o fruteiro não pode se casar com todas as esbeltas que lhe atravessam a vista porque ele não é de nenhuma delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O redemoinho rodopiante roda. As mil serpentes rastejam. E nelas se esconde o contingente absoluto, aquele evento que poderia muito bem não ter acontecido justamente porque aconteceu. E  ele aconteceu quando o rapaz foi atravessado e cruzado pela imagem das duas bolas de fogo-verde envolto em um emaranhado alinhado de fios vermelhos-quente. Esse era o conjunto. De juventude transbordante. De sacola pintada no ombro. De pronto acompanhada daquela que lhe antecedia no tempo, que o rapaz jurou sequer ter visto com nitidez tamanha a potência de luz emitida pela dona dos olhos bolas de fogo-verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incêndio !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um quilo, duas unidades, quatro bacias, três saquinhos. Notas, moedas, chaves chacoalharam no bolso nervoso. As operações matemáticas singelas tornaram-se em um instante  complicadíssimos enigmas matemáticos não solucionáveis mesmo pela teoria do caos. Pois o caos era ali e aquela hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O troco veio errado e o sorriso irônico do grande fruteiro guardião-mor das escarolas enfileiradas o dilacerou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Desculpe, meu senhor”, disse-lhe o rapaz. “Fui atravessado por um raio, por um tilintar de luzes fogo-verde que me fez perder as forças porque tão dignas do Belo platônico, do Belo, aquele os gregos acreditavam que os espíritos tinham uma oportunidade única de apreciar, no momento exato em que encarnariam no corpo do homem ou da mulher ao iniciar sua jornada na vida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o Belo posterior era fugaz e fugidiço. Mas na verdade ele não disse mesmo nada, e tudo então ficou aprisionado em sua vontade, tendo ele somente sorrido envergonhadamente, achando ser melhor não falar do Belo ao fruteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do Belo contemplado para a fuga que era a melhor saída. Plano meticulosamente traçado enquanto o peso de exatas quinze bananas pendia seu braço para baixo, e enquanto a senhora de olhos riscados com giz arrancava, toda impiedosa, as três bananas que excediam a dúzia, não sem antes sorrir maquiavelicamente ante ao poder que ela tinha sobre a penca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o plano eraé que ele sairia caminhando a passos largos e rápidos, mesmo tendo suas pernas pesando cem quilos cada uma, e uma vez que conseguisse equilibrar rigorosamente as frutas, legumes e verduras entre as duas grandes e desajeitadas sacolas que trazia consigo, de modo que os tomates e as pêras de um lado, seriam equilibradas pelas maçãs e bananas de outro, o que evitaria o chacoalhar descontrolado das mãos ao improvável cruzar (oh não !) com as bolas de fogo-verde em meio ao emaranhado de fios vermelho-quente: Ela !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo a passo os passos foram dados. Pela calçada exterior, fora do alcance das mil serpentes que serpejavam pelas ruas, outra não era sua missão: fugir e andar até abrigar-se do perigo que era aquela rubor causado pelo par de olhos de bolas de fogo-verde, deveras encantador e resguardada pela matre que mal pudera ser percebida pois ofuscada pelo brilho em essência que vinha depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A trilha da volta, com os braços parcamente equilibrados pelas sacolas a a...n...d....a...r.... Ignorando sabiamente que as fulgurantes bolas de fogo-verde, em meio ao emaranhado de fios vermelho-quente: Ela !, tinha também a capacidade de se mexer e de se deslocar sinuosamente como um som de harpa, e de jogar, com seu olhar, seus raios brilhantes de cristais de gelo para os lados, para o lado em que ele estava, indefeso, e assim foi feito, e assim seu olhar o congelou de imediato, e ele teve a certeza que as bolas de fogo-verde não queimavam mas sim congelavam, porque também seus braços trincaram e assim as sacolas se espatifaram no chão e o doce mamão tão mal escolhido amassou-se ferindo sua pele amarela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela caminhou até ele. Ele desistiu. Congelou. Amoleceu. E tentou não dizer mas lembrou-se que a frase inesquecível é sempre aquela que é dita e a frase não dita é aquela que não se concretizou, e ficou trancafiada na escuridão sem saída do eu. Morreu porque nunca existiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisou balbuciar a voz afônica -e assim o fez - e pensou no Belo, e duvidou de Platão. Não seria apenas uma única vez sua contemplação, pois a beleza havia lhe invadido desde sempre e se mostrado ali em meio ao aroma de doces frutas e peixes mortos. A frase que tremulou no ar era óbvia, mas a obviedade de sua beleza acabou com toda a obviedade do que foi dito (ele quis o telefone...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um leve estalar na face que ecoou pelo sempre e a dor da maldição da memória falha daquele que não decorou a singela seqüência algarítmica complicada por haver sido atingido pelos raios brilhantes das bolas de fogo-verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.... (Ínterim. Melhor então Interstício.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tuuuuu............. -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Personagem desconhecido. “Não mora ninguém aqui com tal nome.”, anunciou a voz anônima afoita. Ele desligou e pensou. Então está tudo normal. Mas os braços permaneceram amolecidos e as bolas de fogo-verde atormentaram-lhe no dia e na noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saberá ele o fim ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(escrito em Julho/2004)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-4976469932164565610?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/4976469932164565610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=4976469932164565610' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/4976469932164565610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/4976469932164565610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/04/domingo-de-feira-no-bairro.html' title='domingo de feira no bairro'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-846005288056762932</id><published>2008-04-10T04:56:00.000-07:00</published><updated>2008-12-08T13:05:52.007-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_uJQXobHMEjY/R_4Aq9fZyAI/AAAAAAAAAAY/kHZ6yFM1fQA/s1600-h/MarvinGaye.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187584558838171650" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_uJQXobHMEjY/R_4Aq9fZyAI/AAAAAAAAAAY/kHZ6yFM1fQA/s320/MarvinGaye.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Marvin Gaye&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Muito prazer em conhecê-lo, &lt;em&gt;de verdade&lt;/em&gt;, apenas agora.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-846005288056762932?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/846005288056762932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=846005288056762932' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/846005288056762932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/846005288056762932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/04/marvin-gaye-muito-prazer-em-conhec-lo.html' title=''/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_uJQXobHMEjY/R_4Aq9fZyAI/AAAAAAAAAAY/kHZ6yFM1fQA/s72-c/MarvinGaye.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-324000227183149910</id><published>2008-04-09T19:58:00.000-07:00</published><updated>2008-04-09T20:16:23.888-07:00</updated><title type='text'>pequena nota sobre a relação entre náusea e angústia em Sartre</title><content type='html'>Na filosofia e na literatura sartriana, as figuras da &lt;em&gt;náusea &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;angústia &lt;/em&gt;possuem sentidos diferenciados, não sendo necessário recorrer diretamente a Heidegger para buscar uma certa compreensão sobre esses dois pontos em Sartre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;em&gt;náusea &lt;/em&gt;é uma figura literária criada por Sartre para expressar o fenômeno filosófico da contingência ou facticidade da existência, ou seja, de que não existe uma razão, um sentido "a priori", para explicar a existência de qualquer coisa que seja. Se estamos hoje aqui, vivendo essa vida e não outra qualquer, isso não passa de uma contingência da qual não participamos minimamente ao nascer. Simplesmente nascemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação às coisas, o mesmo fenômeno da gratuidade e da falta de sentido ocorre, com o acréscimo de que as coisas, os objetos, são entes em-si, acabados e totalizados, que prescindem de qualquer outra compreensão. Os objetos e as coisas não precisam da consciência para serem qualquer coisa, eles simplesmente o são. E o são por pura contingência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa compreensão da contingência da existência humana e das coisas é definida por Sartre po meio da expressão literária &lt;em&gt;náusea&lt;/em&gt;, bastando para isso nos lembrar das passagens do romance "A Náusea" em que Roquentin por diversas vezes se vê horrorizado com as experiências mais cruas: a árvore e sua raiz no parque, sua imagem perante o espelho etc....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o conceito de &lt;em&gt;angústia&lt;/em&gt; remete às consequências da liberdade irrestrita do homem. Se o homem é completamente livre e plenamente responsável por sua vida, se apenas ele é responsável por ser aquilo que é, então a todo momento as escolhas que faz definem não apenas a si próprio, mas para Sartre, as escolhas vinculam a todo os outros homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao escolher, o homem vincula a si mesmo e a toda a humanidade. Um exemplo clássico em Sartre: um jovem com a mãe doente e sozinha está em dúvida se deve se juntar aos resistentes para derrotar o nazismo, sendo que isso significa abandonar a mãe que, sozinha, certamente falecerá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ele deveria escolher ? O amor pela mãe e renunciar à luta ? Ou escolher a luta e renunciar ao amor pela mãe ? Tal situação demonstra de forma bem clara o sentido da "maldição" da liberdade humana. Qual critério adotar em uma situação como essa ? Qual tábua de valores ele deveria se utilizar para responder a tal questão ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeira e última análise, o homem está só, deve fazer uma escolha da qual não há resposta ou caminho a ser seguido, e ao fazer essa escolha, seja ela qual for, estará vinculando com seu ato não apenas a si próprio, mas a toda a humanidade. Qualquer escolha que fizer mostrará aos outros homens como "&lt;em&gt;o homem deve ser&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa constatação da responsabilidade sobre si mesmo, e que ao se escolher, o homem escolhe a todos os outros homens, gera o que Sartre definiu como &lt;em&gt;angústia&lt;/em&gt;, consequência natural da liberdade humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estabelecidos minimamente os caracteres gerais das duas figuras, é possível traçar uma singela relação entre &lt;em&gt;náusea &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;angústia&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao se dar conta da contingência das coisas, da completude dos objetos em-si, e da total incompletude das homem (um ente "para-si"), este se dá conta de que a completude da qual não irá gozar nunca (o homem jamais será um ente com fundamento em si mesmo), está evidenciada pelas inúmeras escolhas que precisará fazer em sua vida, e ao escolher a qualquer coisa, como acima dito, escolhe não apenas a si mesmo mas a toda a humanidade, gerando o sentimento de angústia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-324000227183149910?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/324000227183149910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=324000227183149910' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/324000227183149910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/324000227183149910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/04/pequena-nota-sobre-relao-entre-nusea-e.html' title='pequena nota sobre a relação entre náusea e angústia em Sartre'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-2595469067797149685</id><published>2008-03-28T14:30:00.000-07:00</published><updated>2008-03-28T14:54:32.441-07:00</updated><title type='text'>Rua Augusta - São Paulo</title><content type='html'>Passam por mim e não me percebem. Eu procuro um olhar cruzado. Meus lábios já estão feridos pelo frio e a ventania. Deles sai um leve vermelho sangue e doce que amortece minha língua. Esse é o meu gosto. Pela manhã cortei o cabelo tentando ser mais uniforme comigo mesmo. Olhei-me pela manhã e me odiei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até há pouco encontrava-me caminhando. Cruzei a Praça da Sé e novamente quis entrar na igreja para dar quinze passos a partir da porta e olhar para cima até ter meu queixo apontado para o teto que parece não chegar. Fiquei assim imóvel até doer meu pescoço e de um só lance abaixei minha cabeça e sai. Os vitrais, as curvas e aquele redemoinho estavam lindos e nem o cinza da tarde ofuscou aquela luz amplificada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então veio o metrô e as pessoas estavam cansadas e com olheiras. Um casal de estrangeiros estava maravilhado com a novidade. Quis ser eles para poder sentir o novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Avenida Paulista congela e racha meus lábios, por mais uma vez. Há vitrines douradas por todos os lados. Os sebos hoje estão todos desinteressantes e levemente mais empoeirados do que já estiveram. Tenho uma nota no bolso que trocaria por qualquer romance que salvasse minha vida. O lugar mais aconchegante é o &lt;em&gt;cyber &lt;/em&gt;café dominado por pessoas com dois buracos fundos no lugar onde deveriam estar os olhos. E então elas não se olham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Rua Augusta queria caminhar até o fim e encontrar aquela curva à esquerda que sempre estranhei. Ofegar. Hoje estive em jejum durante todas as horas e meu estômago mal notou. Quando comi, entreguei-me ao prazer irracional de mastigar e engolir e assim consegui me desligar de todo o mais que estava ao meu redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que os cães fazem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-2595469067797149685?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/2595469067797149685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=2595469067797149685' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/2595469067797149685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/2595469067797149685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/03/rua-augusta-so-paulo.html' title='Rua Augusta - São Paulo'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-8711125913537732176</id><published>2008-03-26T07:07:00.000-07:00</published><updated>2008-03-26T15:21:53.631-07:00</updated><title type='text'>o erro é meu ou de Paracelso ?</title><content type='html'>O vínculo gradativo entre o amor e o conhecimento, ou seja, de que quanto mais se conhece o objeto amado, maior é a capacidade de amá-lo, é um pensamento que há muito me convenceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inversamente proporcional a esse pensamento, também há muito me parece evidente que a paixão amorosa, essa força instantânea, descomunal e capaz de estremecer as mais sólidas estruturas, está diretamente associada ao desconhecimento do objeto amado, ou seja, apaixonamo-nos com fúria e intensidade exatamente na mesma medida em que desconhecemos aquilo que nos despertou a paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se for razoável efetuar qualquer tipo de metáfora ao que está acima dito, pode-se dizer que o amor possui mais flexibilidade do que força, asselhando-se mais a uma árvore já enraizada e estabilizada, capaz de suportar todos os sacolejos de uma forte ventania: balançam os galhos e as folhas muitas vezes se descolam, mas o tronco permanece estável e flexível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paixão, por sua vez, agora com as escusas de uma metáfora metida a engraçadinha, pode ser associado à imagem de um daqueles caras de academia de musculação - cada vez mais comuns - que são dotados de grandes músculos adquiridos com o incansável levantamento de pesos variados, tornando-se enormes e em geral com uma resistência física, um "fôlego", bastante limitado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais caras, aliás, talvez possuam força suficiente para levantar um carro ou um hipopótamo, em um só golpe, tendo assim uma inegável explosão de força.  No entanto, pode-se dizer que a paixão e os musculosos acima possuem muito mais força do que flexibilidade, e que se forem também uma árvore, terão belos galhos malhados e folhas robustas, mas o tronco dificilmente suportará um leve entortar, espatifando-se como um galho seco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feitas as absurdas comparações, uma única razão me levou a pensar neste texto: o fato de ter reencontrado, ou relido, esta passagem de Paracelso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quem nada conhece, nada ama.&lt;br /&gt;Quem nada pode fazer, nada compreende.&lt;br /&gt;Quem nada compreende, nada vale.&lt;br /&gt;Mas quem compreende também ama, observa, vê...&lt;br /&gt;Quanto mais conhecimento houver inerente numa coisa, tanto maior o amor...&lt;br /&gt;Aquele que imagina que todos os frutos amadurecem ao mesmo tempo,&lt;br /&gt;como as cerejas,&lt;br /&gt;nada sabe a respeito das uvas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Razoável, não ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora tente pensar que se isso for efetivamente verdadeiro, então teríamos, em tese, uma segurança ou garantia de que se nos empenharmos no conhecimento do objeto do amor, ou da pessoa amada, este amor estará de alguma forma consolidado e dificilmente poderá sair de nosso "controle", na medida em que o conhecemos com profundidade.  Nesse sentido é a pertinência das metáforas acima, se o amor é forte como um árvore bem enraizada, é porque esta deita suas raízes no fértil solo do conhecimento sobre o objeto do amor, enquanto a paixão embora possua força de explosão, não possui raízes que lhe garantam a sustentação em caso de vendaval. Vale dizer, não se conhece ainda verdadeira e profundamente o objeto amado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora vale pensar também nos inúmeros exemplos que todos têm, de amores que se rompem mesmo havendo, em princípio, conhecimento sobre o objeto amado. Quantas e quantas pessoas não cedem a uma paixão e renunciam a um amor ? Será que estas pessoas realmente se conheciam e desenvolveram esse amor fundado no conhecimento sobre o outro, ou então, o conhecimento sobre o outro não implica necessariamente em amor ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro, o amado, efetivamente pode ser conhecido ? Ele pode ser conhecido como uma cereja ou uma uva o podem ? Não estaríamos incorrendo no grave risco de se totalizar uma certa concepção sobre o outro, de modo que ao afirmarmos que o conhecemos, acabamos o transformando em uma coisa dada e definitiva ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal forma implicaria em uma certa petrificação de nosso olhar e conhecimento sobre o outro, e o grave erro reside exatamente em tornar ou querer tornar imutável e definitiva, uma pessoa, sem considerar que ela é um eterno "vir a ser", um processo de completude que nunca se encerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nos damos conta de que qualquer um vive em constante mudança, e que nosso olhar capta apenas aquele ser que se apresenta aos nossos olhos, naquele exato instante, e não em outro, e que qualquer tentativa de petrificação, sobretudo quando esperamos certas atitudes e posicionamentos em razão de um conhecimento que &lt;em&gt;julgamos&lt;/em&gt; ter sobre o outro, podemos talvez iniciar uma longa e interminável caminhada de &lt;em&gt;não nos frustrarmos com escolhas e atos que não podemos controlar, mesmo daqueles a quem julgamos conhecer e ter amado.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Isso, no fundo, é respeitar e compreender a liberdade, e talvez a amaldiçoarmos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim.....eu errei ? Ou a culpa é de Paracelso ?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-8711125913537732176?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/8711125913537732176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=8711125913537732176' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/8711125913537732176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/8711125913537732176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/03/o-erro-meu-ou-de-paracelso.html' title='o erro é meu ou de Paracelso ?'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-8796904984391382292</id><published>2008-03-24T12:36:00.000-07:00</published><updated>2008-03-24T12:40:58.616-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>“Não tenho nada a defender; não me envaideço da minha vida e não tenho um níquel. Minha liberdade? Ela me pesa. Há anos que sou livre à toa. Morro de vontade de trocá-la por uma convicção. De bom grado, trabalharia com vocês ; isso me afastaria de mim mesmo, e tenho necessidade de me esquecer um pouco (...) Apesar de tudo, não posso tomar partido, não tenho razões suficientes para isso. Revolto-me, como vocês, contra a mesma espécie de indivíduos, contra as mesmas coisas, mas não é o bastante. Não é minha culpa. Mentiria se dissesse que me sentiria satisfeito em desfilar de punho erguido ao som da Internacional”.&lt;br /&gt;L´Âge de Raison  - J.P. Sartre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque muitas vezes o sentido das coisas, é &lt;em&gt;tardio...&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-8796904984391382292?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/8796904984391382292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=8796904984391382292' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/8796904984391382292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/8796904984391382292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/03/no-tenho-nada-defender-no-me-envaideo.html' title=''/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-99420110166424458</id><published>2008-03-18T05:12:00.000-07:00</published><updated>2008-03-21T08:16:44.283-07:00</updated><title type='text'>repugnância</title><content type='html'>Quando Enzo se aproximou da garota sem nome e sem história, com seus seios de pêra explodindo a blusa justa de corte moderno - desejo infantil de se diferenciar de sua retrógrada mãe - apenas pensava no gosto daquela língua sedenta e na consistência de seus lábios falsamente carnudos, realçados com gosma industrializada. Enzo sacolejava o corpo tentando fazê-lo encontrar alguma harmonia com a música que tanto conhecia, que tantas vezes já tinha massacrado sua cabeça e que por inúmeras oportunidades havia exprimido suas alegrias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinuosamente alcançou a proximidade necessária da anônima. Ainda não havia colado seu corpo no dela, mas já pressentia o roçar dos corpos e amaldiçoava as roupas como sutis barreiras aos instintos primordiais. Olhava-a fixamente e seduzia-a falsamente. Sentia que não havia momento melhor do que aquele que vivia: corpos sem nome, música que ativava suas reminiscências e iminência de beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorria sensualmente ele - Enzo - com sua boca de dragão flamejante, ávida por engolir o ser daquela anônima. Ela, inflava ainda mais os lábios sem carne, conduzia-o em uma dança sem fim, sugavo-o em uma espiral que não terminava - da qual era o sedutor centro - rumo a seus lábios, rumo à sua boca, rumo à sua alcova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a música prosseguia com mais ênfase do que nunca. As batidas, os instrumentos, a melodia, tudo conspirava a um só momento perfeito, do qual eram apenas uma preparação: primeiro o roçar dos corpos, depois os olhares diretos e cruzados, e por fim, o beijo que iria fazê-los ter a falsa e sedutora sensação de serem um sendo dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Enzo foi vítima e autor de outros planos. O desígnio do acaso, ou se preferirem, a intensidade da manifestação do inconsciente, capaz de transformar o mundo prático, aplicou-lhe uma bela rasteira: se a música era boa e conduzia ao sublime momento do beijo e dos corpos em choque e, se os lábios carnudos - mas sem carne - e brilhantes daquela anônima de corpo sem nome, se tudo, absolutamente tudo, estava encadeado como os elos de uma corrente, rumo ao momento perfeito, rumo ao ápice da noite, então não havia, como de fato não houve, qualquer explicação possível para o lamentável episódio que se seguiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um jato de vômito pesado e denso, cravejado dos mais diversos pedaços de alimentos das últimas horas, perfumado com o mais acre odor de digestão inconclusa, voou diretamente em movimento retilíneo para o delicado rosto da garota sem nome. Escorreu de sua fronte rumo aos lábios que seriam beijados, apagou a gosma de indústria que lambuzava seus lábios pretensamente carnudos. Manchou sua roupa. Melou seus seios de pêra agora apodrecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enzo nada compreendeu. Apenas vomitou. A música sinistramente se interrompeu e o caminho para o sublime momento se sujou. Não houve perdão ou desculpa. Enzo se corou de vergonha, o sangue lhe inflou a face, corou de tinta aquele homem que se julgava decidido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele havia vomitado. E vomitou no rosto da garota que pretendia beijar. A noite acabou para Enzo e para a garota e mais uma vez o amor se frustrou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-99420110166424458?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/99420110166424458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=99420110166424458' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/99420110166424458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/99420110166424458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/03/repugnncia.html' title='repugnância'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-7668843650046889075</id><published>2008-03-10T04:27:00.000-07:00</published><updated>2008-03-10T13:13:16.906-07:00</updated><title type='text'>teorias da loucura</title><content type='html'>Eu a perdi sem mesmo nunca a ter visto. Nunca a vi. Nunca soube como desvia seu olhar quando inquieta, como prenuncia uma tristeza com os olhos, como disfarça um pensamento indesejado, como deseja um pensamento bom, como sua boca se desenha quando observa ou imagina alguma coisa bonita . Nunca a vi mexer os cabelos, nem chacoalhar as mãos por alguma ansiedade. Ela nunca respirou estando à minha frente e tampouco pude saber se as mágoas e as tristes palavras que explodiam de si, ressoavam em qualquer parte de seu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se não a vi, eu a li. E se a li, eu a descobri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a descobri de início impulsionado pelo acaso, esta força poderosa cujo único poder reside no inesperado. Quando eu a li, deparei-me com um universo movediço e escorregadio, um pântano no qual deliberadamente me deixei afundar. E então pude conhecer suas palavras: densas, melancólicas, cheias de dor, mas reveladoras de uma certa confiança em um futuro que seria possível e que abarcaria em seus longos e pesados braços, uma vida menos corroída pela insensatez e pela objetividade do mundo que a estilhaçava dia após dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que ela se mostrou, por meio de suas palavras e de suas frases, de textos que escancaravam aquela mulher real e palpável, a mulher que a imensidão de pessoas ao seu redor estava vergonhosamente incapacitada de perceber, ludibriada em um universo infinito de frivolidades e tolices.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escritora talentosa surgiu de uma sensibilidade que clamava por expressão, de palavras que se suicidariam de desgosto, caso não fossem digeridas em sua essência: a luta de uma mulher por uma compreensão de si mesmo, a superar a ingenuidade que era típica de uma época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse conhecimento mútuo, a dialética se mostrou presente durante a troca de correspondências entre um curioso leitor e esta jovem escritora. Uma agradável divergência de mundos, valores e sonhos. Uma cisão nos problemas e nas desgraças, também. A cada assunto, um caminhão de palavras dirigidas ao império do outro - este reino inacessível e de caminho tortuoso - na tentativa amável de se fazer compreender em um universo de incompreensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Se tudo flui, nada persiste, nem permanece o mesmo"&lt;/em&gt;, como diz Heráclito, a finitude também se mostrou presente. Mas, o que importa quanto tempo efetivamente durou ? A duração e o esforço pela compreensão não estavam no tempo decorrido, mas sim na força das palavras e no desejo de as ler.... Talvez tenhamos nos julgado amigos em algum momento desses. Amizade que não existiu em um olhar compartilhado ou em um resvalar de mãos, mas na projeção de sentimentos e esperanças pelas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, chegou o mundo e seu fluxo titânico. E as palavras nada puderam contra eles. A pena secou. A ingenuidade cedeu lugar ao desencanto. Os sentimentos abriram caminho ao aprisionamento, de que seriam vítimas. A voz se transformou em silêncio ofensivo. E as lágrimas...estas ainda não se sabe...mas devem ter evaporado de onde brotavam com facilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo é um monstro que a tudo engole. Hoje ela sobrevive dentro desse mundo, dentro desse monstro, trabalhando e operando com as leis - ponto comum e distante que liga este leitor e esta escritora. Impossível dizer que fim deu às palavras, talvez um doloroso exercício de regurgitação que não se completa, talvez uma complicada renúncia de si mesmo, talvez uma perfeita adequação a um mundo inadequado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Cada caminho reflete uma escolha, e escolhas não precisam ser definitivas. Este longo período de tempo em que não tivemos qualquer resquício de contato, provocou-me uma constatação: a escritora viveu em suas palavras e morreu em seu silêncio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas esta morte é triste escolha.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-7668843650046889075?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/7668843650046889075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=7668843650046889075' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/7668843650046889075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/7668843650046889075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/03/teoria-das-loucuras.html' title='teorias da loucura'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-2159424512450648285</id><published>2008-03-06T15:13:00.000-08:00</published><updated>2008-03-06T15:24:44.656-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Por brevíssimos momentos vi uma senhora já bem idosa, de camisa verde grande e shorts azul de colégio infantil, com cabelos cor de nuvem e rigorosamente penteados para trás. Este corpo ocupava um cubículo com paredes rachadas e sem tinta, feio, mas que estava permeado de diversas cores vindas dos mais variados sacos grandes e pequenos de salgadinhos, doces, balas e sabe-se lá mais o que.  Transitava traquinamente entre os sacos coloridos, com leve e tranquilo sorriso no rosto, exibindo suas perninhas curtas e gorduchas apertadas pelo shorts, em um ímpeto de verificar se todos os sacos e cores estavam como efetivamente deveriam estar: atraentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na pequena fração de segundos em que a observei, um poderoso pensamento me dominou, não deixando espaços e tampouco incompletudes: essa velhinha, logo ela, era uma velhinha feliz!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-2159424512450648285?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/2159424512450648285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=2159424512450648285' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/2159424512450648285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/2159424512450648285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/03/por-brevssimos-momentos-vi-uma-senhora.html' title=''/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-4748832267964962424</id><published>2008-03-06T14:25:00.000-08:00</published><updated>2008-03-06T14:27:46.219-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>... Hoje me sinto como um animal.&lt;br /&gt;    Hoje eu grito como um animal.&lt;br /&gt;    Hoje eu estou fora de controle.&lt;br /&gt;....&lt;br /&gt;     Tudo que desejo é estar com você novamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-4748832267964962424?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/4748832267964962424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=4748832267964962424' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/4748832267964962424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/4748832267964962424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/03/blog-post.html' title=''/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-549150640116901602</id><published>2008-03-05T20:50:00.001-08:00</published><updated>2008-03-05T20:53:30.468-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"O furo sereno e profundo invadiu as entranhas do peito, trazendo na faca pontiaguda e de bela lâmina, um sangue puro e íntegro que corria nos mais secretos vasos do coração. O grito que se seguiu ao furo, foi sucedido por outro e outro grito, e era grito quase inaudível, mas tão violento e intenso para aquele corpo de peito furado, corpo de herói vencido deitado sobre o mármore gélido e branco, que espasmos percorriam a extensão de sua carne mole estendida sobre a pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Profundos lamentos e gemidos de dor preenchiam todos os espaços e buracos do ambiente, tal como um gás venenoso envolve em sua nefasta volatilidade, em um abraço letal, a todos aqueles que ousam respirar o ambiente em que ele perniciosamente se encontra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se passou antes do furo retilíneo e impiedoso que estocou o peito do vencido, foi apenas um fúnebre ritual preparatório da sessão de julgamento e condenação do corpo, uma sinfonia melancólica que prenunciou o austero sofrimento de um derrotado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim é que o ritual lento e obscuro se arrastou de forma viscosa e gordurosa, uma lesma inchada e pesada que atravessa a custo um túnel repleto de sebo. O corpo nu e liso, pálido como mármore, foi deitado sobre a cama de pedra branca. A cabeça do estúpido herói, sem cabelos, afundava o pequeno e maciço pedaço de madeira marrom que a sustentava. Ele poderia fugir, o herói estúpido. Nenhuma corda, nenhuma corrente, nenhum braço forte o prendia aquela dura cama, no entanto, sabia ele que seu crime havia sido deveras grave, e que a vergonha o perseguiria freneticamente até o último de seus dias, sendo talvez mais cruel do que a punição a que seria submetido naquela sessão solene e formal de julgamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia mais tempo para nada. O crime praticado exigia punição e a platéia que assistia a tão triste solenidade, também não dispensaria o rigor de uma punição exemplar ao estúpido herói, para que este mesmo sentisse em sua carne a consequência de seu ato, e para que todas as outras pessoas pudessem para sempre se lembrar - e evitar semelhante ato - do triste fim de um criminoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corpo estendido e platéia ávida. Só restaria então o carrasco entrar no ambiente em que a justiça prevaleceria sobre todo e qualquer mal. E isso não tardou a ocorrer. Com passos lentos e decididos, amparado pelos justos deuses, o carrasco avançou em direção ao corpo que clamava por punição. Suas firmes mãos exibiam orgulhosamente o instrumento pelo qual os céus e os deuses manifestariam a prevalência da justiça neste mundo: trazia ele consigo a faca de lâmina resplandecente e aguda, com sua ponta fina e delicada, que sequer se fazia notar ao penetrar a carne, suave e educada, mas que com o deslizar de seu corpo nas entranhas, produzia uma doce melodia crescente e monótona, até que a ponta fina e delicada se mostrasse como de fato era, uma singela porta de entrada para a lâmina mais grosseira que arrombaria a qualquer fibra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A todo condenado é conferido o direito de ser sabedor do crime praticado. Se sobreviver, poderá usar sua história como exemplo de fracasso e ensinar também às gerações vindouras o quanto pode ser infeliz o homem que viola os princípios naturais facilmente encontráveis nas relações humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi somente por isso que o carrasco ainda lhe outorgou esse direito, anunciando os motivos da condenação, enquanto postado ao centro da cama de pedra gélida, levantava vagarosamente seus braços, com as mãos unidas em torno do cabo da faca, como um só bloco uniforme de mãos, faca e vontade de punir: " Ó pálido e triste herói, teus gemidos soberanos de dor não esconderão o crime que cometeste, e nem mesmo a mais bondosa das criaturas poderia suportar a vergonha de seu ato. Receba esta punição como justa retribuição ao seu crime. Você está sendo julgado e condenado por ter acreditado no amor."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre o som da palavra amor e o deslizar doce da lâmina pontiaguda que estocou o derrotado, não houve solução de continuidade. Seu peito fechado tornou-se então um peito furado, e as mãos do carrasco haviam decretado e realizado a condenação, tendo sido suas mãos empurradas simultaneamente pela infinidade de deuses justos que abominavam o crime praticado pelo herói vencido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ato de justiça se seguiram aplausos da platéia. Revigorados em suas convicções, sentiam-se orgulhosos de presenciarem a eliminação do caos e do perigo introduzidos pelo herói derrotado, agora herói de peito furado e gemidos de dor vergonhosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não chorou ao ser estocado pela faca justa. Porém, deveria. Mas também não sucumbiu ao golpe, não morreu com a punição recebida. Mas emitia grunhidos e gemidos de dor profunda, dor que não se apaga. Dali em diante, se sobrevivesse de fato, estaria ele irremediavelmente condenado por seu crime, vagando pelas ruas e pelas noites ostentando seu peito furado, triste marca do amor em que errou ao acreditar. "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então eu acordei....respirando com sofreguidão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-549150640116901602?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/549150640116901602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=549150640116901602' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/549150640116901602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/549150640116901602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/03/o-furo-sereno-e-profundo-invadiu-as.html' title=''/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5022950867274481212.post-5006006771418543721</id><published>2008-03-05T03:38:00.000-08:00</published><updated>2008-03-05T03:52:10.069-08:00</updated><title type='text'>constatações</title><content type='html'>Meus olhos fundos e pesados&lt;br /&gt;com suas pinturas de guerra na linha inferior,&lt;br /&gt;um quadro obtuso com molduras quebradas,&lt;br /&gt;denunciam a quem ousar atravessá-los com o olhar:&lt;br /&gt;Não há descanso para aquele que amargura&lt;br /&gt;a dor que repousa espinhosamente em seu peito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentem convencer de que tudo não&lt;br /&gt;passa de ilusão ou opção, e serei o primeiro&lt;br /&gt;amargurado a levantar&lt;br /&gt;e brindarei a razão&lt;br /&gt;de tão ponderada voz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as noites em claro&lt;br /&gt;e o corpo tenso como montanha inflexível&lt;br /&gt;sobrepujam qualquer razão&lt;br /&gt;e impõem com ímpetos violentos:&lt;br /&gt;não há descanso senão em seu maldito leito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5022950867274481212-5006006771418543721?l=sursiseterno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sursiseterno.blogspot.com/feeds/5006006771418543721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5022950867274481212&amp;postID=5006006771418543721' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/5006006771418543721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5022950867274481212/posts/default/5006006771418543721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sursiseterno.blogspot.com/2008/03/constataes.html' title='constatações'/><author><name>Alex P.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02042759916738801305</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_uJQXobHMEjY/R9VUSF3ftWI/AAAAAAAAAAM/vdZrxQrzih0/S220/PICT0052.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
